terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Fim de um Tempo

Finalmente dei fim ao final de minha já finda fase Saramago, com o saldo de 5 livros terminados e 2 desistidos. Ou seja, 7 livros lidos. Só tenho alguns comentários quase rápidos a fazer sobre os dois últimos e assim não devo citar Saramago por um bom tempo. Eu sei, eu sei, mas vou tentar.

Ensaio sobre a Lucidez leva-nos a pensr sobre o título durante toda a leitura algo do tipo: "É esse mesmo o título? I wonder". Até que é um bom livro, tem todo o estilo Saramago de ser e dá um ponto final no Ensaio sobre a Cegueira. A idéia é imaginar o que aconteceria se 83% da população votasse em branco e como aqueles que tem o Estado na mão (notadamente os do Partido de Direita) reagiriam à situação. Aparentemente o único que tem problemas com lucidez é o Ministro do Interior que praticamente declarou guerra à população. Mas todos vão se apercebendo dessa falta de senso até o final, que, por sinal, não é feliz. O ensaio sobre a Cegueira é visualmente triste e sujo, já este Ensaio sobre a Lucidez é moralmente sujo, eu diria que chega a ficar imundo, mas sempre no plano do poder, claro. Comunista demais pro meu gosto.

O Evangelho segundo Jesus Cristo poderia ter como subtítulo: Um Jesus como nunca se viu. Bom para a sessão da tarde nos dias santos. Após 2000 anos de cristandade e mais uns 100 de pós-modernismos fica difícil fazer algo legal com uma história tão cansada. E ainda por cima o livro é imenso demais para meu ócio criativo.

Agora Lewis Carroll que me aguarde.

.....

Um aviso aos navegantes:
Nunca mais escrevo a palavra pedofilia por aqui. Ela só tem atraído tarados de diversas regiões do globo. A esses gostaria de aconselhar que há muita sacanagem com mulheres perfeitas pela net (e você ainda escolhe o tipo: se negras, asiáticas, louras, morenas, ruivas e por ai vai). Portanto que tal deixarem as criancinhas em paz? Isso é muito feio ouviram?

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Com anos novos sem Sadam e com proibições de Youtube no Brasil, acabo notando que há algo errado aqui também. Por Zeus, só falo de livros e de Saramago por aqui! Viram? Minha intenção era não passar nem perto deste nome e olhe como ele me sai naturalmente. Preciso me vigiar.

Além dessa autocrítica vai uma outra crítica bobinha, mas legal que vi por aí:

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Triste Ano Novo

Ano novo, caneta nova. Pena não poder levar essa metáfora aos blogs (afinal nem metáfora isto é). Por aqui devo dizer algo tipo "ano novo, fonte nova" e é só por isso que hoje usar essa fonte brega. Mas não é sobre isso que eu iria falar.

O caso que deu nome a este post foi uma decepção que me foi dada por Saramago. Depois de muita euforia com Intermitências da Morte e com a Jangada de Pedra, tive a infelicidade de escolher Ensaio sobre a Cegueira para dar continuidade à minha fase Saramago de leitura. Triste escolha. Não é que o livro seja ruim, pois ele é um autor de qualidade tanto em conteúdo quanto em estética (mas há o bagulho das vírgulas, é verdade), mas é um livro triste, sujo e desesperador.

O Mal Branco que levou o país à cegueira, levou as pessoas ao estágio de animais. Isso mesmo, de forma diferente, Saramago acabou se rebaixando ao nível de Jack London (cuspe ao chão) com o seu Call of the Wild. Ele nos dá vontade até de refletir e assistir palestras pseudo-filosóficas promividas por DAs. Eca!

Para se redimir de tal crime à sua carreira, foram precisos muitos livros bons, ou pelo menos alguns excelentes. Por enquanto Todos os Nomes vem me recuperando de tal abalo pela excelência que possui. Pense num funcionário de um grande arquivo público (bem aos moldes do FMDO de os Aspones) que possui um complexo de burocratização ou de sei lá o que mais. Tente pensar no que ele é capaz de fazer por... nada.

Esse sim não deixou meu ano novo tão triste. Ah, e também a caneta que além de nova é boa (coisa rara, hein).

.....

Gostaria de Solicitar 1 minuto de silêncio pela morte do maior estadista moderno do Oriente Médio: Sadam Hussein. Com sua conduta e mão forte, este homem permitiu a criação de milhares de obras cinematográficas que animaram as sessões da tarde de milhões de brasileiros durante as décadas de 80 e 90. Certamente foi uma grande perda para a indústria cultural norteamericana.

.....

Um ps do post anterior que omiti por omissão. A contra-capa deixa bem claro que a pessoa que a fez leu apenas 15 páginas do livro, pois Charles Bingley não vai pensar nem em orgulho muito menos em preconceito. Ele também não é o protagonista, motivador talvez, mas não protagonista, posto defendido por Mr. Darcy que de fato faz as reflexões propostas pelo título de Jane Austen. Ah, Mr. Darcy, como as pessoas se enganam a seu respeito!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Natal com Jane Austen

Muitas autoras brasileiras fazem a credibilidade das escritoras cair por terra. Clarice Linspector e Cecília Meireles lembram tudo aquilo que deveria ser esquecido pela literatura. Mas vá lá, ainda têm um pontinho devido à vanguarda modernista, ou melhor, a vanguarda tem um ponto, elas não. Nem tudo que é novo é bom.
Uma demonstração dessa verdade é o livrinho que li de Jane Austen. Ela já é bem velhinha, ao ponto de já não estar mais entre nós já há alguns anos, já o livro é mais novo. É um daqueles livros brancos de coleção da Abril Cultural que pode ser encontrado em qualquer lar largado pelos cantos mais diversos da casa. No meu caso acabei achando-o por trás de uma fileira de livros mais antigos, agora como ele foi parar lá certamente daria um romance. Mas voltando ao ponto, coisa da qual eu não deveria ter me afastado, Jane Austen é velha e é ao mesmo tempo boa. Melhor do que boa até, ela consegue ser ótima com uma história apaixonante de um clássico amor liberal inglês do século XVIII (ou seria XVII?). Penso que muitos autores de novela até hoje se contorçam de ódio a Jane Austen por ela ser tão melhor do que eles. Por causa disso a já citada coleção da Abril Cultural entrou com uma relativamente nova contra-capa do livro que levaria até o melhor leitor a desistir do intento de lê-lo. Aqui vai, mas não se frustem por causa desse pequeno mal exemplo de contra-capas:
“A permanência de Charles Bingley no pequeno condado Hertfordshire causa inquietação entre as moças solteiras da região. Rico e refinado, Charles é uma espécie de futuro marido ideal para as famílias locais. Apaixonado por uma jovem de origem modesta, seus sentimentos são contraditórios: oscilam entre o Orgulho e Preconceito de sua classe social. Retratando a vida provinciana no século XVIII, Jane Austen conseguiu criar um clássico da literatura inglesa”.

Não é preciso dizer porque Jane Austen merecia algo melhor. Será que não dava para fazer contracapas dignas dos livros do passado, ou é tão difícil ser novo sem ser ruim?

......

Vou fazer alguns posts meio fora de tempo, mas que não devem ser esquecidos.