terça-feira, 13 de novembro de 2012

Deus seja louvado

Há quem reclame de expressões que aparecem aqui e ali contendo coisas inofensivas. Essa daí está nas cédulas desde que elas surgiram e aparentemente só incomodou até hoje quem nunca as teve em demasia. Mas é melhor deixar de lado essa questão religiosa que está prendendo a atenção de muitas pessoas (0.01% da população) que se importam com isso enquanto tão poucos estão nem ai (99.99% da população). Poucas pessoas conseguem observar o verdadeiro preconceito que há em nossas cédulas: o preconceito linguístico (saudades do trema, RIP).

Ora, o Brasil é um país de dimensões continentais, claro que há minorias linguísticas que são forçadas a usar esta cédula escrita nesse tal português brasileiro. Fica aqui uma sugestão, por que não abraçar todas essas minorias ao mesmo tempo? Seria um movimento semelhante ao da Coca-cola do João, da Maria e do José que por algum motivo faz sucesso nas redes sociais. Pode-se ter versões da cédula para cada dialeto Tupi existente, bem como o de outras linguagens indígenas. Também precisa-se atender aos estrangeiros e descendentes que vivem em nosso país. Cédulas em japonês, italiano, francês, alemão, espanhol e carioca devem resolver o problema.

Enfim, soluções não faltam. Mas se algum ateu ou seguidor de oxossi e ganesha estiver incomodado com as cédulas existentes, aceito que me enviem as deles. Ficarei muito feliz com os envios, com ou sem louvor.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

To the Moon

Acho que sempre tive o hábito de me arriscar. Não minha integridade física claro. Não costumo ter medo de narrativas, mesmo quando se apresentam em formas diferentes. Há quem desmereça, mas acho que há muito de narrativa em jogos. Alguns em especial são puras histórias como as de qualquer livro, porém com imagem e som. O lugar da narrativa de jogos talvez esteja entre cinema e quadrinhos devido a uma certa liberdade que o meio proporciona. Como de costume falo muito daquilo que não quero falar sobre.

Acabei de jogar esse inocente jogo. Comprado num pack de jogos dos quais não pude muito bem avaliar o valor. Tinha a noção de que era bom apenas por ouvir dizer pela internet. É muito difícil descrever o quão bom é este jogo. Não pelo jogo em si, nem pelos gráficos, mas pela história que é contada de maneira simplesmente bela. O jogo em si é uma espécie de misto entre RPG e puzzle. Você não interage muito e não parece promover nada do que acontece nesta história.

To the moon é situado em algum momento no futuro, nada muito distante, onde existe uma agência com uma tecnologia capaz de modificar as memórias de pessoas em estado terminal de forma que essas pessoas possam realizar seu último desejo antes de morrer. A máquina é apenas um mero coadjuvante. Somos então apresentados aos seus operadores, os doutores Neil Watts e Eva Rosalene. Eles recebem a missão de realizar o último desejo de um senhor já incapacitado pela doença, John. Seu desejo era ir 'para a lua', mas nem a própria memória do John sabia explicar muito bem o porque. Digo memória porque em momento algum vamos ter contato com John, apenas com suas memórias e o mínimo de interação que elas permitem com os operadores.

A partir daí começa o quebra cabeça dos nossos protagonistas que vão se aprofundando nas memórias do convalescente John em busca da solução. É uma premissa bastante simples. A história é contada ao contrário o que não quer dizer que morra em um lugar comum que facilmente vemos em jogos e filmes. Os dois protagonistas vão navegando pelas memórias através de objetos (mementos) que marcaram de alguma forma a memória de John e tentando interagir e observar o que pode ser mudado para que o desejo de John se realize. O que há na lua que John deseje tanto? Ou será que há algo além dela? A partir daí fica muito difícil de falar desta história sem spoilers.

Mas é fácil dizer que é uma narrativa fantástica e comovente que fala de amor, morte, sonhos e vida. Mexe também com nossas memórias através de diversas referências a coisas comuns da cultura moderna. Vi várias coisas lá que fizeram parte de minha infância e adolescência e gostei de como são tratadas. Neil e Eva também são ótimos como personagens e não desaparecem como espectadores em meio ao foco da história, que seriam as memórias de John.

Como jogo em si, pode-se dizer que é fraco e muita gente que goste de tiros, mortes e ação certamente vai odiar. Não há explosões nem nada demais. Acho que até prefiro chamar esse jogo de uma graphic novel com sons e movimentos. Ah, e claro, uma belíssima trilha sonora. Toma pouco mais de 4 horas de sua vida e proporciona uma experiência talvez única em narrativas de jogos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pobreza

É quando você pode ter um celular maneiro e não pode comprar um headphone. Assim é forçado a compartilhar seu gosto musical duvidoso com as outras pessoas. Não se engane, elas odeiam o seu gosto musical seja ele qual for.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Steam Greenlight

Algumas tecnologias ou ideias são avançadas demais para o seu público. Após o primeiro final de semana do Steam Greenlight, pude ver muitos projetos horríveis e muita gente aprendendo a trollar, postando jogos de outras empresas e até mesmo pornografia e coisas racistas. Os administradores não se fizeram de rogados e procuraram sempre remover e banir quem estivesse postando coisas inadequadas com bastante eficiência. Infelizmente ainda restou o spam de projetos ruins, mas nem tudo pode ser perfeito.

Steam Greenlight é uma ferramenta do Steam para permitir que empresas ou desenvolvedores pequenos tenham a chance de apresentar seus projetos e com a devida aceitação do público, eles podem ser lançados na loja virtual. É realmente um espaço de destaque simplesmente estar na loja da Steam, pois costumo ver sempre uns 4 milhões de usuários online o tempo todo. Pequenos desenvolvedores podem também interagir com os usuários e até melhorar os seus produtos.

Fica meio claro que esses projetos deveriam estar em estágio final de produção ou prontos mesmo. Mas muita gente entendeu que o espaço era uma espécia de lista de discussão de projetos e chegaram a postar ideias apenas e conceitos artísticos. Outros não possuíam uma boa noção de preço e já projetavam 5 dólares por jogos completamente horríveis. O que me fez achar bastante divertido negar e aceitar jogos durante horas, pois num piscar de olhos mais 700 projetos foram postados.

Era bastante claro quando o desenvolvedor havia gastado seu tempo produzindo algo que prestasse. Outros caiam no mau gosto outros vícios, mas no geral a experiência de poder ver tantas ideias e projetos lado a lado tentando ser vendidos é interessante. Ponto para a Valve pela ideia e ponto para todos os jogos criativos e bem desenvolvidos. Merecem o espaço que espero que consigam.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Releitura: O Hobbit

A última vez que li este livro foi provavelmente há uns 12 anos, acho. Lembro de ter gostado bastante e não muito mais que isso. Mas quando vi o trailer do filme que está sendo produzido, deu uma certa vontade de relembrar a história. Lembrava apenas de linhas gerais e de alguns eventos, mas fiquei realmente surpreso ao descobrir o quanto eu havia esquecido da história. Não apenas esqueci de detalhes aqui e acolá, mas eventos inteiros desapareceram de minha mente e muitas vezes me sentia como se estivesse lendo o livro pela primeira vez.

Tenho que reconhecer que durante boa parte da leitura fiquei imaginando como serão as cenas no filme. O que deve ser tirado e o que deve ser adicionado. Inicialmente achei 2 filmes muito para um livro de pouco menos de 300 páginas. Mas observando que nessa obra Tolkien ainda economiza bastante no estilo, dá para perceber onde e como vários nós podem ser desenrolados sem ficarem de forma alguma fora de contexto ou forçados. Acho que os anões, por exemplo, vão ganhar algum destaque maior no filme. O livro é muito sobre Bilbo Baggins, ele é quem põe todos os acontecimentos em andamento e quem tira o grupo de quase todas as enrascadas nas quais se metem. Gandalf apesar de botar tudo em movimento aparece de forma tímida aqui e acolá.

Fiquei com muita expectativa no filme que está sendo dirigido por Peter Jackson. E claro recomendo bastante a leitura deste livro. Pode não ser tão épico quanto Senhor dos Anéis, mas é mais leve e divertido. Sem contar que Bilbo é um protagonista umas 10 mil vezes melhor que Frodo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Grande Sertão: Veredas

Soube que esse livro esse existia por causa daquela lista de livros que obrigam você a ler para o vestibular. Nunca realmente havia prestado atenção. Ele era como Vidas Secas para mim, só um livro sobre um passado pobre e sem lei no sertão. Nossa versão triste, porém cabra-macha de faroestes. Ah, e sem mexicanos que são substituídos por um libanês ou judeu, claro.

Também graças ao vestibular e aos professores de literatura, também já sabia boa parte da história. Eles não estimulam a leitura alguma, apenas falam de forma geral e dão discas sobre o que possivelmente será cobrado. Acho que qualquer surpresa que talvez tivesse nesse livro morreu nessas "dicas" que me foram dadas. Nem sequer lembro se usei algo para o vestibular, mas já sabia que este era um livro sobre o sertão que contava a história de Riobaldo, um jagunço, e Diadorim, também jagunço. Acho que muita coisa na minha leitura teria ido por outro caminho caso não soubesse que Diadorim é na realidade... (omg spoilers... oh, todo mundo já sabe) uma mulher. Nosso faroeste tupiniquim é na realidade um Brookeback Mountain, mas não fica só nisso.

É realmente um livro sobre sertão, sobre pobreza, sobre vingança, sobre sangue, sobre justiça e sobre Deus e o Diabo, mas não lembro de em momento algum ouvir que seria um livro sobre guerra. E muito bom livro de guerra. Nada de estratégias mirabolantes, mas formas de fazer guerra inteligente numa região pouco amigável ao ser humano. Morde e assopra. Dividir para conquistar. Usar vantagens do terreno e o escuro da noite. Coisas que vemos constantemente nessa obra contada pelo próprio Riobaldo, agora já velho.

Mas parece que misturar tudo isso num bolo ainda não é suficiente. Tudo é guiado como uma bela narrativa que vai se desenrolando conforme o narrador vai lembrando. Então linearidade fica meio de fora, mas nada que nos deixe completamente perdidos. Em geral, conseguimos até botar os fatos em ordem facilmente. Riobaldo pequeno conhece Diadorim, sob outro nome. Anos mais tarde o encontra quando decide tentar a sorte de jagunço e a partir daí vão estar sempre juntos até o final. Mas é interessante como apesar de falarem pouco, afinal as agruras da guerra não davam muita margem para papo, eles conseguem se entender. Aliás, não só eles, mas Riobaldo e todo o bando do qual faz parte. Situação que o faz crescer no grupo e adotar outra postura próximo ao final.

Acho que o momento que mais esperava durante toda a leitura foi a revelação e apesar de todos os avisos de meus professores, eles não conseguiram estragar esse momento. O climáx do livro é algo bonito e triste. Podemos até ouvir o som da alma do Riobaldo se quebrando. Mas nesse ponto prefiro deixar que a curiosidade alheia se complete.

Grande Sertão: Veredas é realmente uma grande obra. Escrita por João Guimarães Rosa, chega a figurar em alguns top 100 de melhores livros. O que me deixou intrigado, porque como os gringos leram este livro se não achei em lugar algum a versão em inglês custando menos que "muito caro"? Talvez tenham lido em espanhol ou mesmo em português, mas fico feliz que seja lido e lembrado e espero que algum dia receba alguma boa tradução. Embora tenha que admitir que seria muito complicado conseguir passar todas as nuances linguísticas presentes aqui. De qualquer maneira, vale a pena lê-lo em algum momento da vida. Não é um livro triste, é um livro sobre a vida de uma pessoa que agora velho pensa no que viveu e nos pergunta o que poderá ser dele.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Nova cara

Tenho que admitir que ficou bem menos feio de se olhar e nem precisei saber nada de html para isso!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

So long and thanks for all the fish & Mostly harmless.

Quando estava relendo o Ultimate Hitchhiker's guide to the galaxy, achei engraçado que eu não possuía a menor lembrança desses 2 últimos livros. Não foi nada estranho reparar depois que nunca os havia lido. Cheguei a começar o primeiro há alguns anos, mas parei acho que na primeira página mesmo. Estava cansado da série. Aliás, acho que estava mesmo cansado do peso do livro. Todos juntos num só lugar pode ser uma boa economia na hora da compra, agora um tijolo de quase mil páginas está longe de ser confortável.

Enfim, finalmente terminei a leitura de todos os livros dessa saga escrita por Douglas Adams. Achei estranho que muita gente comente como se ainda pudesse haver alguma continuação. Sinceramente, não acho que há. Tudo termina numa louca gargalhada insana. Acho que não poderia ser diferente, a vida que o coitado do Arthur Dent levou era realmente digna disso. É bem bacana a ausência do Zaphod. Deixou o livro muito melhor e sem randomness.

Mesmo assim após terminar a saga, sinto um pouco de tristeza. Não sei se consegui pegar o que o autor realmente quis passar nesses dois últimos livros. O primeiro do título é provavelmente um trocadilho com temas ambientalistas. Aquela coisa do "nós é que estamos e extinção e precisamos de proteção". Também é interessante como o Arthur volta à terra tão mudado por sua viagem que ele se transforma em um estranho em sua própria casa, no caso, em seu próprio planeta. Conhecemos um novo personagem feminino que deixa claro como a Trillian é uma casca oca sem sal.

O segundo livro, Mostly Harmless, é intrigante. Achei-o desconfortável. Tudo que o Arthur consegue, ele perde e isso se repete várias vezes. Parece que o universo é um bully perverso contra o Arthur e fica testando sua racionalidade. Ele acaba virando uma espécie de Jó que só faz sofrer e no final não vai receber nada em dobro. A gente até imagina que alguma hora a sorte aleatória que Arthur sempre teve vai ajudá-lo, mas dessa vez seu inimigo, o universo, parecia ter um plano infalível contra ele. E ai temos a gargalhada final...

Deve ser coisa da idade, este último livro foi escrito alguns anos após os demais terem feito algum sucesso. Talvez tenha a ver com o trabalho ambientalista que o Douglas Adams vinha desenvolvendo. Ou mesmo tenha a ver com qualquer outra coisa, vai saber. Mas este último livro é realmente desconfortável. Certamente dá um desfecho que pode ser considerado final à saga, mas não é bem o que era esperado. Talvez o próprio autor tenha pensado nisto e quase uma década após Mostly Harmless tenha começado um livro que, dizem, terminaria a saga de um outro modo. Mais feliz? Menos? Não há como saber. Só visitando o Douglas Adams no além. Acho que ainda posso esperar alguns muitos bons anos antes de matar essa dúvida.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Releitura: The Ultimate Hitchhiker's Guide to the Galaxy

Dia desses me peguei pensando nesse livro. Lembrava de algumas piadas, do robô depressivo e dos golfinhos. Mas não conseguia lembrar de forma alguma de porquê tudo acontecia. Apos reler, noto que aparentemente... não há motivo para nada. O universo para Douglas Adams é um lugar estranho e onde muita coisa improvável acontece. É difícil dizer como seus personagens vão reagir diante dos acontecimentos.

O Arthur em geral assume a postura de bobo incrédulo. O Zaphod é completamente aleatório, o que o autor parecer considerar a genialidade do personagem. Trillian é uma figurante. Ford é realmente o palhaço da história, por vezes inteligente por vezes apenas serve para ficar em denial. Os demais personagens parecem apenas seguir uma obsessão clara e ignorar todo o resto. Aparentemente esse é o universo de Douglas Adams e na realidade é sua visão da humanidade. Cada um com seu problema ignorando tudo que não é o seu problema. Isso inclusive é a justificativa da tecnologia de invisibilidade em algum momento.

Em geral, nesse primeiro livro o grupo, mais o robô maníaco depressivo, está em busca de um planeta esquecido pelo tempo. Lá descobrem que a terra é um experimento e depois saem do planeta fugidos e sem que tenha havido algum motivo para eles sequer terem ido àquele planeta. É um pouco assim que toda a narrativa é levada daí então. É divertido, mas não faz muito sentido se você estiver pensando em alguma história. É uma espécie de sketch cronológico que leva nada a lugar nenhum com algumas risadas no meio.

Gostei bastante na primeira leitura, mas na segunda não havia surpresa alguma. Talvez deva esperar mais uns 20 anos até a próxima.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Game of Thrones

Acho que sou o último a assistir essa fantástica série. Mas lembro que a Globo existe e que ainda deve passar lá como alguma super novidade quando o 5º livro já estiver disponível em DVD. Mesmo assim, ainda valeria a pena assistir só para ver o que fariam com as traduções. Particularmente gostei bastante da versão do livro em português.

Tradução bastante fiel e pontual. Apenas nomes que teriam traduções aceitáveis foram traduzidos e nenhum deles era o nome de uma pessoa. Nesse caso, acho que as traduções ajudam a visualizar os ambientes mesmo. The Wall é bem claro em inglês, o tradutor quis passar essa clareza ao chamar o lugar de A Muralha. Red Keep virou Fortaleza Vermelha. Enfim, foram escolhas óbvias e felizes.

Voltando à série, posso dizer que gostei pra caramba. É tudo meio épico, até os jogos de traições para alcançar o trono. Talvez a série apenas peque em mostrar já coisas que só vão aparecer em próximos livros. Já mostram Theon Greyjoy bastante insatisfeito e razoavelmente insubordinado. Mostram também Renly com seu amante pensando no golpe. E os cadáveres de olhos azuis logo de cara. Há também alguns nomes que vão ter importância na história e sequer são mencionados, como o Roose Bolton e o próprio irmão do príncipe Joffrey.

Não acho que tenha sido de modo algum ruim. A série não está sendo feita a esmo. Está sendo bem trabalhada e pensando já no segundo livro e essa é uma tendência que deve continuar nas próximas temporadas. Em especial, gostei bastante da Daenerys. A atriz conseguiu manter o ar de jovem assustada do começo e cresceu conforme a história se desenvolvia.

Acho que com tudo isso nem preciso dizer o quão boa é a narrativa e o livro. Pelo que ouvi dizer, a tendência é só melhorar. Só fiquei com pena do Stark, achava-o bacana. But no more spoilers. Muito bom série e livros. Só espero que o autor não morra antes de terminar!