terça-feira, 8 de abril de 2008

Espaço Público

Após ler um pouco a constituição e observar o funcionamento de uma Assembléia Legislativa cheguei a uma conclusão bem simples: Toda Assembléia é um Diretório Acadêmico. Isso acontece porque ela é praticamente impedida de legislar sobre qualquer besteira porque o Congresso e o Senado já são responsáveis por tudo nesse país.

Só para não dizer que não fazem nada: eles tem que aprovar os planos-plurianuais e orçamentos do governo todo ano. Isso consiste em ouvir o Secretário da Fazenda por horas sem fim até alguém dizer: "chega! vamos jantar". No mais, só ficam levantando discussões sabe-se lá o por quê.

Mas o que é realmente pior nisso tudo é o nível das discussões. Audiências públicas são montadas somente para quem é a favor do que está sendo discutido. Houve uma bem legal que era sobre presídios femininos e os riscos que os filhos de almas sebosas corriam lá dentro. Ai do nada aparece uma dessas figuras feministas e racistas negras que dizia que deveria ser estudado com atenção o caso das mães negras e dos filhos negros (porque branco não precisa de nada). Ou então, quando se discute a questão de pesquisas com células tronco só chamando pesquisadores. Ou a questão do açúcar e do álcool só com a presença de plantadores de cana.

Tudo observando o mesmo critério de diversidade de opinião presentes nos diretórios acadêmicos.

Mas é nos encaminhamentos que uma Assembléia fica igual a um DA, pois após horas de discussão, alguém percebe que não há nada a ser feito e simplesmente nada acontece. Até porque não se aprova nada em audiência. É só um espaço, hã, para o povo falar. Muito útil por sinal.

Mas ok, Assembléias podem conceder título de cidadão! Sempre a pessoas muito importantes para o estado, como Fernando Henrique Cardoso é para, hã, Pernambuco.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Rebels on the Air

Qualquer livro técnico, ou que trate de algo mais ou menos acadêmico, ou que simplesmente trate da história de alguma coisa, é chato, certo? Sim. Mas temos que observar qual história seria essa primeiro (óbvio). E se o livro tiver capa vermelha, estrelas e um nome de música punk ou metal melódico então há que se ter algum receio.

Por sorte, Rebels on the Air só me parece nome de banda punk ou música de metal. De resto, Jesse Walker apenas se propõe a conta a 'história alternativa do rádio na América [do Norte]'. É o tipo de coisa que um aluno barbudo de comunicação usando roupas velhas faria. Mesmo assim é surpreendentemente muito bom (apesar disso ainda acho que ele deve ser um coroa, barbudo, de camisa de banda preta do Scorpions ou do Iron Maiden).

Ele narra o surgimento da rádio nos EUA e como os amadores foram os pioneiros do espectro. Esses amadores eram verdadeiros 'exploradores do éter'. E ao final da Grande Guerra conseguiram dobrar a marinha (que aspirava pelo monopólio do espectro nacional) ao mostrar que eles eram muito mais capazes que os técnicos treinados pelo exército. Eram tão mais capazes que até aprenderam a explorar comercialmente aquele novo espaço real.

O autor também fala das evoluções técnicas do rádio e de como o FM foi descoberto por acidente por meio do popular 'atirar no que viu e acertar o que não viu'. E também de todas as brigas que a FCC gerou com o sistema de concessão tão bizarro quanto o brasileiro.

Mas a real defesa que Walker faz do rádio é a criatividade. Ele constata que a liberdade e a criatividade são coisas juntas e por as rádios alternativas e piratas conseguiram ir da genialidade a podridão. E esse tipo de coisa só aparece quando a liberdade é total. O curioso é que assim ele acaba defendendo todo tipo de rádio: hippies, yuppies, niggers, revolucionários, latinos, judeus ortodoxos, todos deveriam ter a sua parte no espectro dar asas a suas imaginações por mais bizonhas que elas venham a ser (os exemplos provam que isso pode ser realmente bizonho).

Depois ele entra numa parte desnecessária e desatualizada. Fala de liberdade de um lado mais político. Ataca o então senador McCain que estaria sendo um grande problema para as pequenas rádios. E fala de podcasts, rádios digitais e a internet como um novo retorno ao tempo dos amadores.

Eu não queria dizer isso, mas o livro é de fato um relato apaixonado sobre o rádio e é bom de ler até para quem não gosta de rádio (como eu, por exemplo).

terça-feira, 25 de março de 2008

Li um russo

Pela primeira vez li Tolstoy. Mas não foi nenhum daqueles livros imensos dele. Fui mais tímido e peguei um que tinha apenas três contos (um dos quais ainda não li por preguiça, por sinal). Mas o que mais me chamou atenção nele foi a capacidade de fazer bons contos (com moral bonitinha, mas finais trágicos, mas que fazem o leitor, hã, pensar) e estendê-los além do necessário.

'How much land does a man need?' conta a história de um lavrador que ao ouvir sua mulher e sua cunhada discutirem sobre os benefícios e os problemas do campo e da cidade acaba, sem meias palavras, dizendo merda: "se eu tivesse terras em excesso, não temeria ao próprio diabão em pessoa". O diabo, que sempre ouve essas coisas (e também a Voz do Brasil), põe em ação um plano que leva este homem até os confins da Rússia. Lá, por ambição do próprio agricultor, ele encontra seu fim (yeah, contei o final imprevisível dessa história). É simples, é direta, é linear e bem escrita. Mas precisava de umas 16 páginas pra contar isso? Tenho a impressão de que essa é uma daquelas histórias que nos passam em correntes de e-mails e pode ser adaptada em uma apresentação de slides tocando alguma música do Zé Ramalho.

O segundo conto é 'A Morte de Ivan Ilych'. Ele narra a vida de Ivan Ilych e de como ele 'passou pela vida e não viveu'. Nos dá valorosas lições de não escolher a esposa errada (sugerindo um antes só do que mal acompanhado) e de como nossas filhas serão clones de nossas esposas. Eu faria os mesmos elogios e ressalvas do texto anterior, mas colocaria uma outra música na apresentação, um blues depressivo qualquer ai.

Mas, ok... Para quem escreveu livretos como Guerra e Paz e Anna Karenina, esses contos são minúsculos e nem podemos reclamar de que são ruins e tal. São 'ok' apenas. Algo para uma tarde de segunda-feira chuvosa quando só houver os Trapalhões e Paulo Coelho no cinema.

sábado, 15 de março de 2008

Estagiário público

Curioso, pela primeira vez na minha vida me senti jornalista mesmo, daqueles que têm cabelos brancos e falam de liberdade de impressa contra uma constituição capenga). Mas o que me levou a ter essa sensação única foi exatamente o fato da suspensão do meu programinha de tv (sou obrigado a dizer meu por que ninguém respeita quando você diz que 'participa de um programa'). Aparentemente, um erro jurídico (revogaram uma licitação no dia; só é permitido que se revogue até cinco dias antes do prazo) e a gula de um empresário que foi expulso de todos os canais de televisão por cometer todos os crimes de mídia imagináveis (e misteriosamente ganhou a concessão de uma canal UHF) foram responsáveis pela minha situação de estar numa Tv, sem equipe e sem canal. Mas a sensação de estar jornalista passou rápido quando vi o tempo que vai levar para se desenrolar o processo.

Mas deixando as esferas do poder de lado, o que me aconteceu foi o seguinte: pela primeira vez me senti um funcionário público que todo mundo imagina. Estou sem porra nenhuma para fazer e estou mamando nas tetas do Estado; indo para o trabalho para bater ponto e ler jornal.

Até gostaria que fosse 100% verdade isso, mas essa falta do que fazer transformou meu estágio de Tv em estágio de secretariado e de biblioteconomia. Tenho que catalogar e arrumar os milhares de dvds e fitas que temos lá. Além disso elaborei um sistema daqueles códigos loucos para catalogação. Acho que sou ruim nisso, porque as pessoas ainda conseguem encontrar os dvds catalogados. Mas tenho tempo suficiente para praticar essa arte sumir com as coisas mesmo sabendo onde elas deveriam estar.

terça-feira, 11 de março de 2008

Os Três Mosqueteiros

Tenho que assumir que quase cai na velha tentação de por no título 'um por todos e todos por um'. Mas temo dizer que isso é tão dos filmes e de quem lê só prefácio que preferi deixar passar. Outra coisa tenho que assumir: não esperava nada deste livro e me surpreendi. Senti que o próprio Dumas dava uma tapa e dizia: 'venha comigo'. Num só fôlego ultrapassei as quase 600 páginas. Agora só me lembro de ter sentido isso em Musashi.

Mas deixando de abobrinhas; como diz o craque: clássico é clássico. Mas alguns parecem ter um gostinho a mais que os outros. No Rio, por exemplo, reza lenda que jogar contra o Botafogo é clássico. Mas um Fla Flu consegue misteriosamente encher bem mais os estádios. Mas deixando as metáforas futebolísticas de lado, este livro é fantástico.

Para falar do óbvio: tudo começa quando D'artagnan, um jovem gascão, é mandado pelo seu pai à Paris para virar gente na vida. Em Paris ele fica amigo de três mosqueteiros após uma situação curiosa. Até então só temos 4 soldados bêbados e boêmios gastando o pouco que não tinham por ai.

É quando D'artagnan é envolvido numa intriga poderia por a França, a Inglaterra, a Espanha e a Áustria em guerra. É em defesa da honra da rainha francesa que esses quatro fazem grandes feitos. Tudo não passa de um simples quarteto amoroso. O Rei da França, o Duque de Buckinham e o Cardeal Richilieu que estão apaixonados e enciumados pela Rainha da França. No fim das contas quem importa são os mosqueteiros e Richilieu.

Mas para evitar um festival de coisas que já foram ditas por milhares de pessoas, vou destacar apenas o que me chamou atenção e seguir uma ordem por cabeça, que também achei mais interessante seguir:

1 - Richilieu não era mau. Sabe, depois de assistir milhares de filmes onde a Cardeal fazia de tudo para dominar a França e acabar com os mosqueteiros, finalmente descubro que ele sempre dominou a França e fazia o que quisesse dela. Como amava a rainha e não foi correspondido, passou a persegui-la. Essa a motivação do Cardeal contra os mocinhos. Mas quando ele percebe o valor dos quatro amigos, ele acaba os aceitando como homens cheios de valor e promove D'artagnan a tenente dos mosqueteiros.

2- Milady é que é a verdadeira maldade encarnada. É uma daquelas mulheres más de novelas da Globo, que todos sabem ser falsa, mas que por algum motivo ainda caem em suas manipulações.

3- D'artagnan é tudo o que dizem e mais um pouco. Faz aquele mosqueteiros ninja dos filmes parecer um pato desengonçado.

4- Aramis é quase um Richilieu. Mas sem todos os poderes e com conflitos pessoais entre a religião e o amor.

5- Porthos é uma decepção. Ele não faz nada além de falar alto e arranjar problemas.

6- Athos é uma surpresa. Ele é muito mais amargo do que se pensa e muito mais doido quando quer. Imagine, no meio de uma guerra, alguém propor almoçar durante uma hora num bastião exatamente entre dois exércitos. E pior, ele consegue fazer isso.

Ação, mistério, amor, aventura, velocidade, duelos, intrigas, emoção, tragédia, comédia e um toque de brilhantismo resumem tudo (até porque se eu falar mais estraga). É bom ler esse livro antes de morrer, caso contrário, matem-se.

autodescoberta

Eu não acredito em metade do que falo. A outra metade ainda é passível de questionamentos.

terça-feira, 4 de março de 2008

Isso sim é uma execução decente

"Deverá ser atenazado no peito, nos braços, nas coxas, nas pernas; sua mão direita, segurando a faca com que atentou contra o rei, deverá queimar até desaparecer; onde for atenazado, será derramado chumbo derretido, óleo fervente, resina e pez ardentes; por último, o que restar do corpo será puxado e esquartejado por quatro cavalos tangidos em direções diferentes; os pedaços serão lançados ao fogo até virarem cinzas, que serão lançadas ao vento".

E assim morreu o cara que tentou matar o Rei Luís XV. Fico imaginando como seria a sua morte se ele tivesse conseguido.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

29 de Fevereiro

Hoje é um dia único.

E digo mais: ele acontece a cada quatro anos.

E digo mais ainda: a história desse dia está em todos os jornais e tem a ver com a Igreja.

E ainda sou capaz de dizer mais: tem gente que nasce em dias assim e se diz com 16 anos estando com 64 anos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Desistência

Sabe, tentei ler James Joyce essa semana. Peguei feliz 'A Portrait of the Artist as a Young Man', mas fui surpreendido por uma língua estranha. Deixei-o de lado e só decidir olhar para algo desse autor quando eu aprender irlandês ou seja lá o que for aquilo escrito.

Se fosse meu, o livro ia para pilha onde Nietzsche e a Biografia feita por Pedro Biau aguardam sua vez.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Stardust

Quem me viu empolgado com o filme de Stardust (ou simplesmente sabe que só faço elogiar) vai achar que lá vai uma série de elogios a esse livro agora. Mas vou deixar passar desta vez, porque o achei simplesmente decepcionante. Não posso deixar de dizer que até me senti traído por Gaiman. Mas vamos por partes.

Originalmente concebido para os quadrinhos, o livro realmente deixa muito a desejar no quesito imagens. As descrições são oks, mas... falta vida nelas. Parece que o texto está sempre pedindo as imagens com os quais foram feitos. Um livro de fantasia não tolera isso. Mas perdoemos. Afinal, originalmente não era um romance.

A história é diferente do cinema. Era previsível, mas não da forma que é. E note que no cinema está bem melhor.

A idéia é a mesma. O Tristan Thorne atravessa do vilarejo de Wall para Fairy em busca de uma estrela para presentear seu grande amor. Mal sabia ele que pela estrela iria se apaixonar. As sidequests também são as mesmas. Tem lá as bruxas que querem o coração da estrela. Tem os sucessores de Stormhold e a mãe de Tristan que está encantada.

Mas no livro encontramos um Tristan mais cruel que o do filme. Também é um Tristan que de repente se apaixona, do nada, literalmente. A estrela realmente o odeia, até do nada, literalmente, se apaixonar. E todos os outros aparecem no caminho acidentalmente mesmo.

Os sucessores de Stormhold também são apresentados de forma diferente. Primus é realmente piedoso (isso fica solto no filme). E Septimus é realmente uma cobra (no filme ele é, digamos, um homem com motivos bem fortes para fazer o que faz). Outra coisa é que o medalhão realmente cai nas mãos da estrela para que ela seja o instrumento de sucessão de Stormhold (e não bate nela quando ela está voando atrás do Surfista Prateado).

O livro mostra a bruxa má realmente como alguém mais forte do que é no filme. Mas no fim ela é simplesmente perdoada. Aliás, não morre ninguém. Só os sucessores de Stormhold. E, à exceção de Primus, todos de forma bem diferente.

E pra fechar toda a obra, não tem Happy Ending. Esse foi o cúmulo.

Enfim, tudo está mais explicado, mas se apresenta mais quadrado. Não há emoção nem a velocidade que o filme apresenta. É sem graça. O livro sim parece um conto de fadas para adultos sérios e/ou ingleses (pois não penso num final com solidão como algo admirável). Não é como o filme que é um simples conto de fadas, com algumas cenas pesadas para as criancinhas de berço, mas todo bonitinho. Enfim, esse é um caso raro onde digo: vão ver o filme e citem o livro apenas a título de curiosidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

American Gods

‘Quando alguém reza, um Deus nasce’. Essa frase poderia ser de qualquer pessoa, mas confesso que a vi em um jogo antigo chamado Black & White, onde você é uma mãozinha que é Deus. American Gods lembrou-me muito esse jogo e que não me apareça ninguém dizendo ‘deuses no mundo, que mentira’ daqui pra frente.

No livro, o continente americano não é um local favorável aos deuses, porque os humanos não eram naturais da região. Ao levar seus deuses consigo, os homens acabaram aprisionando esses deuses por séculos ou milênios na América.

Enquanto tinham fiéis, esses deuses tinham poder e glória (como qualquer deus cool tem). Mas com a morte e desaparecimento de seus povos, eles praticamente vivem como pessoas normais, só que muito mais velhas e conhecedoras de alguns encantamentos e mágicas menores. Nesse ponto ele parece meio depressivo ao mostrar deuses loucos, mortos, humanos e (o pior para eles) esquecidos.

Mas falando assim parece que o livro sai como uma listinha de deuses acabados que você encontra em algum ferro velho, o que seria uma inverdade parcial, porque de fato há uma certa ordem na aparição deles. Para fazer a listinha, Neil Gaiman escolhe Shadow, um personagem com um nome horrível e não muito esperto, mas que por causa de besteiras pequenas consegue ser bem legal!

Shadow sai da prisão por causa da morte de sua esposa e na viagem de volta para casa ele conhece mr. Wednesday, que na verdade é Odin, e que o leva a uma cruzada para reunir os deuses em uma guerra. Os velhos deuses milenares contra os novos deuses da modernidade. Particularmente, gostei da Mídia, mas há uma porção de deuses interessantes e egos dignos de redação de jornal.

Aliás, a apresentação parece ser a chave da história. Nada de chegar dizendo: ‘Shadow entra na sala e senta com Osíris e dá um tebei em Safo’. Nada de apresentações fúteis. Todos são apresentados exatamente como deveriam e se você tiver tido uma infância com Cavaleiros do Zodíaco, vai reconhecer alguns. Mas muitas vezes temos que simplesmente adivinhar quem é a figura, se de fato é alguém. Gostei muito de um Deus do qual Shadow simplesmente não consegue se lembrar de como era e do que ele falava ou que simplesmente havia estado com ele mesmo que ele estivesse realmente determinado em lembrar. E, para variar nesse livro, não faço idéia de quem seja a figura (mas pensei no haitiano de Heroes sempre que se falava nele).

Enfim, é um belo livro. Uma epopéia moderna e fantástica. Totalmente excelente, mas achei que lááá no finalzinho as coisas se revelam de forma meio previsível. Mas isso não importa, porque creio que isso seja defeito de epopéias mesmo. É um livro de cenários e de formas interessantes. Leitura obrigatória para qualquer ser vivo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Uma homenagem ao Carnaval pernambucano


Muita festa, muita alegria e muita Igreja. Quem não pensa nisso no carnaval? Felizmente aqui em PE temos nosso querido Arcebispo que se importa conosco e deixou sua mensagem para o país. Não tomem a pílula rapazeada e lá vamos bancar a bolsa família de uma geração inteira de escorpianos e uns poucos sagitarianos. Nada que uma próxima folia não pague.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Compensação histórica

Já que a lei moral da moda do Brasil é a da compensação histórica para os que tiveram os direitos usurpados (palavrinha feia, hein)... Quero meu império alexandrino de volta!


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Um ps: olha a prova de que esse território é meu de direito com a lista de meus antepassados nessa irrefutável e séria enciclopédia eletrônica.

http://en.wikipedia.org/wiki/Soter

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

História do Cerco de Lisboa

Raimundo Silva tinha uma pacata vida de revisor literário até que num instante de impulso, ele comete um crime: ele troca um sim por um não. Na verdade não foi um simples sim que foi trocado pelo não. O sim que foi trocado mudaria por completo a História do Cerco de Lisboa. Ao contrário do que se esperaria num romance de Saramago, a história não muda. Os portugueses de fato tomaram Lisboa com o auxílio dos cruzados. A única diferença é que agora temos um revisor em situação delicada.

Mas é essa situação delicada que muda a vida de Raimundo Silva. A gráfica no intuito de evitar esse tipo de constrangimento novamente contrata a diretora de revisão Maria Sara. E, surpreendentemente, o já velho Raimundo Silva experimenta o amor dos jovens. Maria Sara experimenta o mesmo sentimento de Raimundo Silva, mas faz uma exigência: que Raimundo Silva escreva a história do cerco de Lisboa a partir daquele não.

Isso é curioso num autor de temas fantásticos e bastante pensativos. A história do cerco de Lisboa é relegada a um segundo plano, enquanto o que é de fato narrada é a história de Raimundo Silva e Maria Sara em paralelo a história de Mogueime e Ouroana, um soldado e uma escrava de guerra que representam os dois primeiros na história do cerco.

Um livro bem light para este autor exigente. Mas é o tipo de livro que pode ser um pouco cansativo para os que não conhecem Lisboa. Há descrições minuciosas que comparam a Lisboa do cerco com a Lisboa atual. Isso para nós que não conhecemos não significa nada. Mas para entender melhor o livro pensei no carnaval de Olinda, afinal é o que tenho mais próximo de uma guerra de cerco na minha mente. O povo de cima são os mouros. Que vem subindo as ladeiras são os portugueses. Muros de carne se formam evitando que uns desçam e que outros subam. Mas no fim todos sabem que os de baixo magicamente vão subir e dominar a Sé, cansados, sujos, suados e machucados. Agora é só esquecer que eles vão descer para não acabar numa contradição.

Mas viagens à parte. História do Cerco de Lisboa é um ótimo livro para se começar em Saramago. Não haverá fuga à lógica nem grandes moralismos ou dilemas. Infelizmente também não haverá muitas frases de efeito. Mesmo assim, vale uma tarde de segunda lendo.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Citação

Eu sei, eu sei. Sinto-me péssimo em fazer um post baseado em coisas dos outros, mas quando li isso aqui num site por ai, não deu para resistir. Foi extraído de uma das partes mais comoventes do Guia do Mochileiro da Galáxia. Uma parte totalmente excelente. Ai vai.

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A towel, it says, is about the most massively useful thing an interstellar hitch hiker can have. Partly it has great practical
value - you can wrap it around you for warmth as you bound across the cold moons of Jaglan Beta; you can lie on it on the brilliant marble-sanded beaches of Santraginus V, inhaling the heady sea vapours; you can sleep under it beneath the stars which shine so redly on the desert world of Kakrafoon; use it to sail a mini raft down the slow heavy river Moth; wet it for use in hand-to-hand-combat; wrap it round your head to ward off noxious fumes or to avoid the gaze of the Ravenous Bugblatter Beast of Traal (a mindboggingly stupid animal, it assumes that if you can't see it, it can't see you - daft as a bush, but very, very ravenous); you can wave your towel in emergencies as a distress signal, and of course dry yourself off with it if it still seems to be clean enough.
More importantly, a towel has immense psychological value. For some reason, if a strag (strag: non-hitch hiker) discovers that a hitch hiker has his towel with him, he will automatically assume that he is also in possession of a toothbrush, face flannel, soap, tin of biscuits, flask, compass, map, ball of string, gnat spray, wet weather gear, space suit etc., etc. Furthermore, the strag will then happily lend the hitch hiker any of these or a dozen other items that the hitch hiker might accidentally have "lost". What the strag will think is that any man who can hitch the length and breadth of the galaxy, rough it, slum it, struggle against terrible odds, win through, and still knows where his towel is is clearly a man to be reckoned with.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Um Conto de Natal (atrasado)

Todas as histórias de Natal já foram escritas, cantadas, narradas ou mesmo dançadas (vai saber como). É fácil chegar a essa conclusão apenas dando um passeio por ai ou assistindo à sessão da tarde. Ainda assim é possível entre uma lembrança e outra conhecer alguma.

Charles Dickens é um mestre em falar de pobreza como algo bonitinho (quase miguxo). Talvez isso aconteça por causa do ofício de jornalista que ele exercia, mas até hoje essa influência não foi provada. No entanto, apesar de trabalhar no que trabalhava, ele é um autor de estilo e originalidade raras. Seu conto de Natal é uma prova disso.

Mesmo no tempo de Dickens, todas as histórias de Natal já estavam escritas, a sessão da tarde apenas as atualizam de acordo com o período. Seu Conto narra o sonho de Natal de um velho ranzinza chamado Scrooge (Isso mesmo, o tio Patinhas).

Na véspera de Natal, Scrooge é visitado pelo fantasma de seu antigo sócio, que o alerta de um ultimato que o velho ranzinza receberá. O ultimato é a visita de três espíritos, o Espírito do Natal Passado, o Espírito do Natal Presente e o Espírito do Natal do Futuro. Eles mostram ao velho o que ele fez, o que ele vem fazendo e como terminará. Scrooge é tocado pela mensagem dos espíritos e muda completamente sua vida.

É um conto bonitinho e meigo, no entanto consegue ser duro e cruel quando necessário, coisa que só Dickens poderia fazer. E deixa uma forte mensagem de mudança. Melhor que qualquer livro de auto-ajuda, Um Conto de Natal de Charles Dickens é um bom texto para se ler em qualquer época. Sua mensagem independe de épocas, afinal sempre há tempo para mudanças.

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Falando em mudanças. Lá se vai mais um ano. Espero que 2008 seja um ano melhor e que me traga muito mais dinheiro, surpresas e felicidades! E quem sabe dessa vez eu não ganhe na loteria...

Ah sim, e aos fantasmas que vierem por aqui, podem pegar um pouco desses votos emprestados.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Coisa que nunca vou entender

Por que mulheres usam salto alto no centro da cidade? O que levaria uma pessoa em plena consciência escolher se equilibrar num fio alto e pegar um ônibus sambando em direção a um lugar onde o mais raro será encontrar uma superfície plana? Vai entender...