segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

M is for Magic

Acho que a essa altura alguém já deve ter notado que sou meio fã de Neil Gaiman. Li muito do que ele já fez por ai e esse não poderia ficar de lado tendo um título tão curioso. Mas fiquei um pouco frustrado logo na apresentação, porque essa idéia do título não é de Gaiman, mas sim um autor que nunca ouvi falar que escreveu os seguintes livros: R is for Rockets e S is for Space. Gaiman, com a permissão do autor, apenas seguiu a idéia.

A introdução também nos diz algo que não é muito agradável de saber antes da leitura, mas que vai explicar todo o livro. É um livro de contos que, segundo Gaiman, foram escritos mais como diversão do que como, hã, trabalho. Mesmo assim alguns de seus contos são muito bons. Ele faz aquela mistura do infantil com horror e fantasia/magia. Em resumo, são contos de fadas para todas as idades. Destaco dos contos Don’t Ask Jack, Troll Bridge, Chivalry e The Price. Particularmente, gostei bastante desses.

Gaiman é também um marketeiro e ele já faz a introdução de seu Graveyard Book aqui em dois ou três contos. E confesso que não fiquei muito atraído. Mas já que já comprei, o jeito é ler algum dias mais para frente. Só espero que essa moda não seja uma constante nas obras dele, ainda quero ler Fragile Things.

Pesando os contos bons e os nem tanto, M is for Magic vale a leitura num final de tarde com uma turbina em cima de você para aliviar o calor maldito deste verão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Poeira

*limpando as teias*

É... parece que este lugar precisa de uma boa limpeza. Pelo menos ainda está de pé.

sábado, 5 de setembro de 2009

Mate-me Por Favor

Não, ainda não virei emo. Também nem andei considerando a idéia. Mas acabei lendo este livro que é um pequeno documentário sobre o punk. Ele é apresentado no formato de diversas entrevistas de personagens que fizeram a história do punk nos EUA. Alguns deles só passaram de leve, mas aparentemente era uma cena pequena e todo mundo se conhecia. Outra coisa que fica bem aparente é a capacidade de drogados conseguirem perder qualquer quantidade de dinheiro pelo vício.

Fora isso não há muito o que se dizer sobre o livro. São muitos punks velhos lembrando de como as coisas eram boas (mesmo que completamente fodidas) em seu tempo. Pois é, punks também envelhecem e quando isso acontece eles ficam igual a qualquer outro.

Uma coisa curiosa é que os autores/repórteres se concentram mais no punk americano e assim nos permite ver com mais facilidade a diferença do punk inglês e deles. Um é basicamente fúria adolescente, o outro é uma espécie de inconformismo com o mundo que faz você virar uma espécie de causa perdida para a sociedade. Em geral, esse preconceito era bem justificado.

No mais o texto é recheado com diversas histórias de velhos. Algumas muito boas. Outras tristes. Mas nenhuma chata. Por isso esse até pode ser um bom livro para quem se interesse pelo punk.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Revolta e Melancolia: o Romantismo na Contramão da Modernidade

É normal que exista um certo preconceito (e não sem razão) contra livros acadêmicos. Penso que sejam um dos catalisadores do sono em bibliotecas universitárias, mas isso não vem ao caso. Este livro de Michael Löwy e Robert Sayre não é, inicialmente, muito diferente desses que merecem nosso preconceito. É bem legal e cabeça aberta quando pretende buscar o seu objeto de estudo em qualquer coisa. Neste caso, estamos falando do romantismo.

Para citar logo a parte chata, o próprio movimento e as interpretações são analisados de modo, hã, amplo. São tantas fontes citadas que por várias vezes não fazemos a menor idéia de quem está falando sobre o que por causa de alguns excessos do uso do 'apud'. Mas é engraçado que a obra vai se construindo e a análise acaba sendo bastante completa e abrangente. Se alguém realmente quiser aprender mais sobre o romantismo este é um bom lugar para ampliar os conhecimentos, mas não para iniciá-los.

Ai aparecem alguns juízos de valores que fazem nossas sobrancelhas se divertirem num sobe e desce sem fim. Os autores colocam o romantismo como um movimento que esteve sempre deslocado do tempo dos, er, capitalistas e dos industrialistas. Colocam os escritores românticos como pessoas que sempre viviam a fugir da realidade porque não se adaptavam a ela. Era mais divertido criar algo que fosse do seu gosto que viver num mundo , hã, errado.

Sendo assim, por que não considerar qualquer ficção como uma variação do romantismo? É o que acaba acontecendo. É o velho dilema do mundo dividido em dois: a situação que detém o poder econômico from hell e a revolução que é bonita, fofa e legal. Isso realmente me faz questionar sobre o que motiva um autor a escrever. Será que eles andam na rua vêem um mendigo e pensam: "ó meu Deus, tenho uma história", enquanto os carinhas da classe média continuam sendo aquela coisa eternamente sem gosto?

Mas é ai entre uma zoação e outra que paira o sentido do romantismo. É só pensar em um grupo de autores que de repente tiveram sentimentos semelhantes em relação a sua época e que com isso criaram obras brilhantes. O que o livro realmente quer dizer é que se um dia isso aconteceu, por que não de novo? Assim Löwy e Sayre saem à caça de referências contemporâneas do romantismo (com um destaque especial para a ficção científica e a fantasia). No final acaba sendo um bom livro de pesquisa (ou de curiosidades mesmo) que até nem nos faz dormir muito.

ps: outro ponto que achei divertido (e que muita gente deve achar revoltante por motivos bem diversos) foi o fato de Marx ser tachado como romântico no livro. Mas quando vejo em Marx, Hitler e Tolkien compartilhando idéias, penso que deve ter algo errado nessa classificação. Isso porque nem deu vontade de falar em George Lucas...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Spoiler

Nerd 1: Como melhorar Star Trek após 43 anos de série?
Nerd 2: Humn... que tal dois Spocks?

ps: a lógica das lâminas de barbear sempre funciona.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Harry Potter II

Acho que é bom estar de volta para terminar de vez esse assunto. Nem me sinto mais tentato a dividir os comentários por livro, como fiz com Nárnia. A história também é cada vez mais de "domínio público" por causa dos filmes e da comoção em volta do Daniel Radcliffe que nem merece muitos detalhes. Este livro de fantasia infanto-juvenil, como já disse, segue a linha do "vou ser épico", mas sinceramente deixa muito a desejar. É engraçado notar que quando o livro era desconhecido e despretensioso, ele até parece surpreendentemente legal. A partir do terceiro volume notamos que fica mais para o repetitivo mesmo e rebuscando fórmulas mais consagradas para o sucesso.

Posso estar sendo influenciado pelo fato de estar lendo muitos mangás para adolescentes ultimamente (shonens e shoujos basicamente), mas Harry Potter me parece mais próximos deles do que da, hã, literatura infanto-juvenil de fato. Geralmente fico bastante raiva dos mangás quando seus personagens adolescentes ficam com alguma frescura nipônica, por exemplo, quando acontece todo aquele choque por causa de pessoas com 18 anos namorando ou quando acham que depois do primeiro beijo é sexo na mesma hora. Bem, o Harry Potter durante sua vida mágica-estudantil me levou a sentir esse mesmo ódio. Até que comecei a notar algo: até onde estou odiando uma obra ou uma criança de 14 anos?

E aí é difícil diferenciar, pois a narrativa de J.K. Rowling é toda centrada no pequeno bruxo. Mas algumas coisas podem ser notadas. Como em todo shonen, o protagonista é envelhecido. Aquela pilha de músculos que luta perfeitamente e mata sem sem pudor tem apenas 15 anos mesmo. Harry Potter é envelhecido pelos sofrimentos que passa. Quais mesmo? Ah, tem um bruxo muito muito mau atrás dele porque ele precisaria do sangue dele (o de qualquer outra pessoa serviria, mas você sabe como são os vilões). Os tios dele também o ajudam a envelhecer ao tratá-lo de uma forma que certamente seria proibida caso fosse levada aos cinemas ou seriados no Brasil. Afinal, é proibido constrangir criancinhas, even for art's sake! E lá vou eu digredindo, mas avançando.

Nessa hora começamos a notar toda a caricatura que havia em cima dos personagens. Não é uma caricatura ruim, mas não supera as expectativas de um filme de sessão da tarde. Os velhos são covardes e burros; as crianças são corajosas e têm habilidades incríveis. Não há um simples personagem que seja atraente por ser único. A magia também é completamente overrated. Claro, todos podem fazer coisas incríveis com ela, no entanto todos podem fazer coisas incríveis com ela. Se você ouviu um encantamento, pode sair já soltando por ai. Até faz a gente se perguntar porque diabos eles precisam estudar tudo aquilo.

Ah, falando em magia, o bruxo muito muito mau que é o Voldemort seria um vilão incrível se não fosse tão patético. Se o compararmos com Sauron ou com os antagonistas de Nárnia, ele certamente esconderia o rosto de vergonha. De que adianta ser um bruxo muito muito mau e só usar uma magia? Além disso, ele parece desconhecer todos os efeitos de magias antigas salvadoras (objeto de estudo no qual ele é um "especialista"). Ele comete TODOS os erros necessários para morrer mesmo sabendo exatamente o que estava fazendo (em tese, isso seria um spoiler, mas já dá para notar que isso vai acontecer no primeiro volume mesmo). Sua derrota não chega nem a ser um mérito para os vencedores. Nem se compara a toda a tarefa colossal que foi derrotar Sauron e sobreviver para contar a história.

Considerando que é uma obra em volumes, a autora comete um erro meio chato no decorrer dos livros. Todos os livros são recheados de repetições. Parecem verdadeiras recapitulações clássicas dos animes japoneses. Como são sete livros, a coisa realmente vai se acumulando ao tédio. A vontade (muitas vezes praticada) é de saltar os parágrafos de repetições mesmo.

Enfim, Harry Potter é algo que começa legal e vai se perdendo com o tempo. Acho que isso deve acontecer constantemente com quem se arrisca a fazer épicos. Por sorte, eles não costumam virar best-sellers mundialmente amados (o que deve ser inocência minha, pois de cara já lembro das Brumas de Avalon e de muitos outros romances para quem gosta de rpgs medievais). Até há um mérito ou outro que poderia ser valorizado no livro, mas prefiro deixar quieto. Depois alguém pensa que realmente vale a pena ler sete livros e algumas poucas milhares de páginas. Sinto que Senhor dos Anéis e Nárnia não deixam muito espaço no coração para fantasias épicas bonitinhas, mas ordinárias.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dúvida da Semana

Você passaria o resto de sua vida com uma pessoa incapaz de entender uma metáfora e que só fala por meio de insinuações?

domingo, 7 de junho de 2009

De Bobeira

Com queda de avião e seleção, de repente o Recife parece fazer parte do Brasil.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

De bobeira

No dia que eu não me importar com mais nada nesta vida, juro que deixo crescer um bigode.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Marca

Ontem cheguei a marca lendária de 10.000 visitas depois de 6.000 anos de blog. Nesse passo, em mais 18 anos chego ao sexto dígito. Mas o que realmente importa é que vou tentar reviver as coisas por aqui. Deu saudades.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Harry Potter

Acho que peguei o hábito de ler obras com vários volumes. Essa daqui tem logo sete, mas nem parece assustadoramente grande. Afinal, os primeiros volumes são pequenos e isso ajuda a compensar os gigantes que estão lá no final. Vou dar uma de chato e pensar que isso é uma estratégia comercial. Primeiro você atrai e depois empurra algo sem sal goela abaixo. Pior que eu quase não passava da primeira página. Traduzir nomes é uma prática nefasta que deveria ser abolida de todas as traduções. Ver Dudley ser transformado em Duda logo de cara quase me fez jogar tudo para o alto (também há a transformação de James em Tiago. O que diabos as pessoas têm contra James?). Mas resisti a tentação e até agora nem posso reclamar muito porque só li os dois primeiros e já decidi comentá-los:

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HP e a Pedra Filosofal
Quem já leu mangá ou já viu anime talvez reconheça um pouco desse plot. Imagine um menino que ficou órfão porque seus pais morreram para salvar-lhe do grande bruxo do mais mal. Agora imagine que esse menino cresceu com parentes que o odiavam por ser, hã, diferente. Até que um belo dia ele descobre que tem poderes mágicos e que pode estudar na melhor escola de magia do mundo.

A partir daí a história fica bem comum para quem já assistiu Goonies (ou sessão da tarde mesmo - acho que tenho algum trauma com sessão da tarde - com todas aquelas criancinhas fazendo feitos milagrosos). Na escolinha, eles descobrem uma conspiração para roubar a Pedra Filosofal, artefato que poderia reviver o bruxo mais mal supracitado.

O que dá para notar neste primeiro volume é que a JK Rowling estava mais querendo introduzir seu cenário mágico. Vemos a escola de Hogwarts ser descrita nos seus mais inúteis detalhes. As mesas, o jantar, os quadros, citações históricas irreais e até algumas aulas com a citação desnecessária dos autores dos livros utilizados. Tudo parece em excesso aqui. Até a minha crítica, pois essas miudezas realmente ajudam a ver aquilo tudo na escola como mágico.

Como o livro é bem sintético e simples, ele acaba sendo bom. Tipo, bom mesmo. Divertido, com um mistério infantil e recheado de magia. No final ainda acontece uma daquelas sucessões de desafios seguindo aquele modelo (muito comum nos japoneses): você vai perdendo um aliado para cada desafio, até só restar o herói e o vilão. Ah, sem esquecer da reviravolta final. Uma coleção de clichés legais.

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HP e a Câmara Secreta
Aqui já sabemos que o bruxão mais mal de todos ainda vive, mas está fraco e é deixado como figurante. Então podemos deixá-lo de lado e nos concentrarmos no grande mistério da Câmara Secreta. Nome bem sugestivo para o título de um livro. Pode-se dizer o que vai acontecer com um pouco de imaginação.

Com um mistério fraco, só resta a magia. O problema é que os jovens magos ainda são extremamente limitados, então não há muito a ser feito. Pelo menos o livro é pequeno e passa rápido. No entanto, podemos sentir que alguma coisa está se montando. O cenário, inicialmente repetitivo, agora abre espaço para a comunidade bruxa de fora da escola. Esses bruxos, apesar de terem estudado 7 anos naquela escola, saíram sem aprender nada de útil.

Novamente, encontramos um bruxo com a incrível experiência de dois anos de bruxidade para resolver tudo. Isso já nos mostra uma certa incompetência dos bruxos mais velhos que deve afetar a história num ponto posterior.

Apesar de tudo, o estilo da autora se mantém rápido e de fácil leitura. Também começamos a achar os personagens mais simpáticos apesar de toda a caricatura em cima deles. Com sorte, a coisa talvez até melhore. Mas desconfio que não, porque os sete livros devem fazer alguma grande saga que até agora não faz o menos sentido. O ideal e continuar a leitura sem preconceitos, mas, infelizmente, os livros começam a engrossar a partir de agora. Se bem que até então tem sido divertido.

ps: outra coisa que me incomodou profundamente no cenário de HP é o fato deles chamarem as pessoas normais de trouxas e de as considerarem completamente indefesas. O que já deu para notar é que por mais forte que seja um mago, ele ainda morre com um simples tiro. Isso joga por terra essa inofensividade dos trouxas. Até agora os bruxos não mostraram para quê vieram.
pps: e lá vou eu arranjando outra desculpa para atrasar meu projeto...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Libertadores

E como penaltis é loteria, o Sport acaba deixando a Libertadores. Acho que agora não há mais desculpas para não terminar minha monografia.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Something Stupid

- Por que estamos terminando?
- Porque você me ama.

Ok, depois dessa desisto de entender a raça humana (pelo menos a parte feminina dela). Mas, ops, isso já foi dito antes:

segunda-feira, 20 de abril de 2009

De bobeira

Estudar num centro de artes e comunicação nos mostra que ocasionalmente acontecem algumas coisas estranhas por conta da parte arte do centro. O curioso disso é que algumas vezes essa parte pode até ser legal. Semana passada pude ouvir uma apresentação de uma banda de garotos espinhentos que acham o máximo ser estranho (esse tipo de apresentação acontece com uma certa regularidade na frente da entrada do centro, mas eu estava até esquecido que isso existia). Espiei com desprezo quando vi começarem a montar o equipamento. Esperava muito barulho e alguma gritaria sem sentido.

Engraçado. Pude ouvir exatamente isso. Barulho e gritaria sem sentido. Mas não é que os espinhentos eram bons mesmo. Isso na parte acústica. Tocavam bem e até dava pra sentir um estilo naquilo que tocavam. Isso realmente me surpreendeu e me deixou feliz por estar errado. A alegria durou até o vocalista abrir a boca. Não consegui entender uma só palavra do que ele dizia. Note-se que isso vale tanto para os momentos de música quanto para os momentos onde ele deveria estar anunciando a próxima música. Era um horror.

No entanto, essa coisa de ouvir um som legal com uma voz horrorosa me fez notar o que eu mais odeio no rock nacional: a voz dos "cantores". Ouvir rock (e uso aqui o termo para resumir todas as suas variações) nacional sempre me deixou meio constragido. Sempre pensei que fosse culpa de arranjos ou de algumas letras bizarras. O real motivo era muito mais audível. Talvez isso seja culpa de uma cultura estranha de permitir que qualquer pessoa cante desde que seja com emoção, ou sei lá o que. A quantidade de exemplos desafinados ou sem voz boa mesmo fica bem absurda se formos considerar a indústria musical brasileira.

E nem tenho vontade de seguir reclamando. Penso que a nova geração de bandas tem muito o que melhorar nesse sentido, mas pelo menos já estão tocando bem.

domingo, 12 de abril de 2009

Estudar pode não dar futuro, mas de uma forma mágica ainda te faz passar em cálculo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Coisas de torcedor

Sabe o que é pior que ver seu time perder? É saber que seu time mereceu perder. E pior que isso é observar a derrota acontecendo a cada minuto. É saber exatamente que grande erro estava acontecendo ali no campo e ser incapaz de alertar o time sobre o erro.

Lá se foi uma grande vantagem e um grande tabu. Mas espero que com ele não tenha ido a inteligência. Com dois neurônios, era possível um empate. Com três, até uma vitória não seria impossível mesmo depois de começar atrás.

Agora é aguardar é esperar aquilo que sempre considero nulo. A inteligência alheia. Uma certa reação ao resultado negativo. algo que se espera de um time qualquer desses que vivem patrocinados pela grande mídia. No fim das contas, só quero que meu time vença e que faça valer sua vitória. É algo até simples, mas que só se consegue com um pouco de vontade e inteligência.

ps: e que também seja num momento em que essa coisa amarga do álcool não dobre tanto a vista.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre porque a sessão da tarde deveria deixar de existir

Na verdade, nem assisto sessão da tarde na Globo por problemas técnicos e falta de interesse mesmo. A parte técnica pode ser relaxamento, mas a falta de interesse é porque filmes de cachorro e animais falantes todos dias meio que cansam. Isso sem esquecer de nossas brilhantes produções nacionais do que sobrou dos Trapalhões. Mas nada disso importa porque a sessão da tarde global já faz parte de um horário maluco fixo que nunca muda por cabeça dura.

Acabei me pegando assistindo à sessão da tarde do SBT. Essa é realmente genial. Parece que qualquer filme tem que caber no espaço de uma hora. Ai acaba havendo uma edição estilo movie-a-minute mesmo. O filme de hoje foi Mortal Kombat, que já é muito ruim, e estava tudo tão picotado que mal fazia sentido. Garanto que isso não é privilégio do MK.

Ainda tentei pensar em algum uso criativo para isso, mas acabei lembrando de Arnaldo Antunes e suas poesias bizarras. Essa visão do inferno ficou tão presa na minha mente que acabei torcendo o pé. Tudo culpa do concretismo sem noção nacional.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Free Style

A gente percebe que anda pouco de ônibus quando de repente começam a vender tabuadas matemáticas com 42 matérias, que contém a nova regra ortográfica, dicas de etiqueta e ainda uma lista de 230 ervas que curam até mal olhado. Tudo por cinco reais. Quase comprei só por curiosidade.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Um dia eu ponho um título

Como torcedor do Sport, estou muito feliz pelo que vejo meu time apresentando até agora. É impossível conter um certo sorriso de orgulho quando vejo muitas pessoas na rua com a camisa de meu time. Elas podem ser feias, desdentadas e comunistas, mas que me importa? Meu time venceu e isso basta para olhá-las com uma certa intimidade feliz (sem me aproximar muito, claro. Um sorriso basta).

O mais curioso de hoje, no entanto, foi ver a prova de que o pernambucano é mesmo uma criatura complexada (até no futebol). De repente, é necessário toda imprensa parar para mostrar os gols do Sport e só falar de o quanto somos bons (se bem que justo seria dizer que somos os melhores). Fico bem feliz em só ver os gols mesmo e o jogo pela tv. Estou nem ai para o fato do "sul" (região geográfica que compreende qualquer lugar, com excessão da Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) prefira ver notícias sobre o fra ou a estréia do gordo no curinthians. Se eles possuem o públicos deles lá (e cá) com interesse nessas coisas, problema deles. Como já disse, fico feliz em simplesmente ver meu time vencer e acho meio brega como o povo aqui fica abestalhado quando um jornalista/comentarista do "sul" fala sobre nós.

Menti antes, o mais curioso não foi ver a reclamação geral de meus conterrâneos por fóruns e blogs espalhados por ai. Curioso foi ver um torcedor do Santa Cruz coleguinha meu ficar feliz com o fato de ter faltado energia na zona sul de Recife durante o jogo. A alegria dele se devia porque os "playbas" iam ficar sem ver jogo. E nisso olho para a figura que tinha dois brincos e usava aquelas camisas baby look... enfim, um típico playba. Mas ele é Santa Cruz que é o time do povo e povo sempre fica feliz quando playba se ferra. Ah é, esqueci de dizer que ele é pernambucano e assistiu o jogo para torcer a favor do Nordeste contra tudo e contra todos!

Como sou otimista, ainda acredito que um dia ainda vamos nos livrar desses moinhos de ventos.



ps: caraca, eu tinha me esquecido como esse clipe é ruim.

segunda-feira, 2 de março de 2009

The Chronicles of Narnia - pt 4

Já sinto que alongo mais do que devia, mas uma vez que comecei tenho que levar até o final. Se bem que aqui realmente temos um ponto em que qualquer coisa dita seria malquista por quem ainda for ler (e quem não for: que tenha vergonha de si).
The Horse and His Boy

Dos sete livros que compõe as crônicas, este é o mais, hã, "diferente" de todos. Não pelo aspecto moral, que continua sempre presente (e sem o qual Narnia deixaria de ser Narnia), mas pelo próprio começo. Não vemos garotos ingleses indo de encontro ao desconhecido para ajudar uma terra fantástica em necessidade. Conhecemos apenas um jovem escravo e seu cavalo (ou como ele, o cavalo, prefere: o cavalo e seu garoto).

Também somos apresentados a mais uma nova fronteira de Narnia. Uma terra desértica e com tradições antigas e cruéis. Talvez seja algo no enredo ou algo no protagonista. Confesso que esta é uma das histórias que mais gostei nesse mundo. Delightful.

The Magician’s Nephew & The Last Battle
Aqui qualquer comentário seria um imenso spoiler. Mas, só para estragar a surpresa de quem achava que não vou dizer nada, vou dizer algumas coisinhas sobre elas. Bem, toda história precisa de um começo e de um fim. As duas a seu próprio modo mostram e explicam tudo o que vimos até agora nesses outros tantos livros. Ah, o final é daqueles de fazer chorar! Mas só se você acompanhou Narnia todos os outros livros.

Só mais uma coisa. O Lewis parece que orientou uma certa ordem de leitura que inicia com o Magician’s Nephew. Na verdade, a ordem dele é cronológica (numa crônica isso faz até sentido). Esse livro só vai fazer algum sentido e ser realmente muito bom caso você já saiba de antemão todo o resto que se passou em Narnia. Ele literalmente estraga muitas surpresas e torna outras coisas nos demais livros sem valor. Enfim, seguindo a ordem, pode-se terminar a Última Batalha com um pouco de pena porque terminou e muita felicidade por aquilo simplesmente existir.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Breath of Fire 3

Bem, sei que não falo muito sobre isso por aqui e é até com alguma vergonha que o tema me vem à tona (minto, sou nerd assumido mesmo e numa quarta-feira de cinzas fico até sem ter com quem compartilhar as glórias nerds). Sim, jogo muito mesmo e até fico feliz que algumas pessoas frescas percam algumas coisas legais e divertidas que encontramos nos jogos por ai por pura frescura. Esse jogo em questão é um RPG; gênero que, na teoria, não faz muito sentido ser representado num console já que você não exatamente atua como um personagem. Mas isso é bobagem porque se trata de um RPG oriental, ou JRPG como alguns gostam de chamar.

Só esse fato já é uma promessa de muitas horas de jogo. Levei cerca de 60 horas para finalizar esse ai (o que é praticamente o que perco pagando uma cadeira inteira no curso). Posso dizer que me diverti mui (caso contrário não passaria 60 horas nele), mas não pude deixar de notar algumas coisas curiosas. Na verdade, algumas muitas dessas coisas curiosas estão nessa lista que Jack gentilmente me repassou.

O que me chamou a atenção mesmo foi o desfecho sólido. A história vai evoluindo gradativamente e se mostrando muito aos poucos. Boa parte do nosso tempo é gasto fazendo coisas não relativas à história. É mais ou menos no meio desse monte de coisas aleatórias que conseguimos juntar no fim todas as fichas e notar algo de épico lá. E pior que fica muito bom assim. É um épico meio bobo, mas o que ainda é bobo depois de Senhor dos Anéis? (Ups, as vezes até me esquece que SdA foi a origem de tudo isso).

Se esse tipo de jogo ocupasse menos tempo de nossas vidas com algumas bobagens (como procurar os ingredientes, aprender a receita e preparar um peixe especial para o prefeito de uma cidade que vai falar de um marujo que vai nos dizer como atravessar o mar), eles seriam até bem aconselháveis a qualquer público.

Gostei muito do desfecho desse jogo assim como gostaria do desfecho de um livro simpático. Acho que a diferença é que eu não gasto 60 horas com um só livro, mas é bem verdade que um jogo tem atrativos a mais, ou melhor, outros atrativos além de um enredo.

Falando em enredo, Salgueiro venceu. Que mundo surpreendente, hein.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

The Chronicles of Narnia - pt 3

The Voyage on the Dawn Treader
Fantástico. Brilhante. Lindo. Emocionante. Simplesmente phoda! Ele merece mais alguns, mas sinto que eu tenho que ser breve. Uma viagem ao fim do mundo passando por ilhas onde absolutamente qualquer coisa pode acontecer. Este é o risco daqueles que procuram desbravar o desconhecido neste mundo mágico.

A novidade deste livro é que as duas crianças inglesas mais velhas (se é que isso é possível já que toda criança inglesa nasce velha) dão lugar a um primo. Este primo, o Eustace Clarence Scrubb ("and he almost deserved it"), é quem orienta a história do pequeno Dawn Treader (que tem um dos melhores nomes de navios que já vi). E dizer qualquer coisa a mais sobre isso seria um imenso spoiler. Então, boa viagem até o fim do mundo! E triste seja o nosso mundo que é redondo e sem fim.

The Silver Chair
Após a viagem até o fim do mundo, que horizontes ainda poderiam ser explorados? Muito poucos certamente. Mas Lewis parece que encontrou um que não é exatamente um horizonte, mas não deixa de ser fascinante. O príncipe Rilian, filho de Caspian está desaparecido. Cabe a Eustace e Jill, outra criança inglesa que acabou magicamente indo para Narnia, encontrar o príncipe em mais uma busca fantástica.

Engraçado, eu sei que este livro é bom, mas não consegui gostar dele como gostei dos outros. Sinceramente, a culpa foi de Jill. Ela não consegue ser uma fofa, inocente e corajosa menina inglesa perdida num mundo mágico. Acho que foi isso que me incomodou. Mesmo assim sua leitura é interessante. Até porque vemos pela primeira vez coisas que só serão explicadas no último livro.

ps: estava pensando um pouco mais sobre não gostar tanto desse livro. E acho que a culpa pode ser da viagem do Dawn Treader. É tão boa que faz a gente esperar mais do próximo livro, que é bom, mas não tanto quanto imaginamos que ele seria.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tradição

Você sente que tradição é uma coisa ruim quando ela começa a desviar o trânsito do maior corredor de ônibus do estado (se brincar do Norte-Nordeste, como gostamos de exagerar) no centro da cidade e redirecioná-lo para minúsculas ruas construídas há cem anos para o trânsito de carroças; tudo isso para montar um galo de metal gigante e reunir mais de um milhão de bêbados sob um sol de 40² graus para comemorar algo que ninguém lembra mais o que é.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Coraline - o filme

Finalmente assisti o filme de Coraline. Foi dublado, mas tinha aquele simpático óculos 3D que faz as coisas saírem da tela. Gostei muito do efeito. Realmente ia fazer diferença caso eu simplesmente tivesse baixado uma versão gringa do filme só porque odeio ver filme dublado. Confesso que o autor me ajudou a optar pelo filme dublado com menos peso no coração (e também contei com um empurrãozinho de uma pessoa de muito bom gosto e que muito aprecio). Enfim, só quero dizer que valeu muito a pena e que é realmente um bom o filme.

Claro que como adaptação algumas mudanças foram necessárias. Não acredito que a essência do livro tenha se mantido porque o quesito moral acabou dando lugar à fantasia e à magia. Mas ficou bonito. De quebra, o enredo ficou bem completinho. Um filme simpático, embora o livro seja melhor (ok, sou suspeito para falar).

Ignorem-me e simplesmente assistam o filme!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

The Chronicles of Narnia - pt 2

Aviso logo que esse vem com Spoilers. Se bem mais em relação ao filme do que em relação ao livro.

Prince Caspian
O fantástico mundo de Narnia foi invadido por humanos cruéis, orgulhosos e covardes. Nesse ambiente conhecemos o jovem Caspian que em seus estudos é apresentado às criaturas das antigas histórias. Todas desapareceram, mas nem por isso foram esquecidas. O jovem tinha sua vida pacata como o príncipe herdeiro de Narnia (só lembrei do he-man e seu gato guerreiro). Até que um dia o filho de seu tio, o rei Miraz, nasce. Narnia era pequena demais para dois herdeiros.

O encanto de Caspian (e o destino) pelas criaturas acaba levando-o até elas. E juntos, eles lutam para tentar fazer que a Narnia seja fantástica mais uma vez. Mas se há séculos as criaturas em seu esplendor haviam sido derrotadas, como poderiam vencer agora?

É ai onde entram as quatro crianças inglesas. Elas são os reis dos tempos de ouro de Narnia que vão lutar contra monstros japoneses gigantes para que os ideais da verdade e da justiça sejam retomados. Mesmo para eles, essa batalha não será nada fácil.

Esse livro teve uma adaptação feita ano passado para os cinemas (também Disney). Eu até tinha achado legal e emocionante na época, mas quando finalmente li fiquei decepcionado. A Disney não adaptou. Ela deturpou a história. Criou situações e problemas que não existiam. E a questão da moral foi deixada de lado no filme. Não há a crença que traz a vitória no final no livro. Falando em final, o livro propõe uma espécie de dilúvio que purifica a raça corrupta dos homens. O que aparece no filme parece uma piada diante disso.

Enfim, como perdão dos spoilers, este é um livro que mostra que talvez a Disney não esteja tão respeitosa na questão da moral cristã presente no livro e que sem isso alguns livros mais na frente serão impossíveis de ser adaptados. Mas que se faça a vontade de Aslan e vamos ver no que dá.

Um ps: a Disney por algum motivo aleatório decidiu envelhecer os personagens além da conta, o que vai ficar meio feio mais pra frente. Ah, e também inventaram um romance totalmente sem sentido que parece que vai feder no próximo filme.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

The Chronicles of Narnia

Que dizer sobre esta obra? Sinceramente, não sei. Dizer que é perfeita seria resumir demais os dois meses de alegria que me trouxe. Poderia falar de estilos ou gêneros presentes no livro de C. S. Lewis. Mas como rotular? Fantasia, fábula literatura inglesa? Poderia dizer que é longa. No entanto estaria mentindo porque alguns desses livros li em um dois dias. Se não fossem as férias e os emuladores, acredito que duas semanas é o suficiente para se ler com calma todas as sete obras. Acho que se eu fizer por partes fica menos bagunçado (mesmo sendo muitas partes).

Nisso é preciso dizer que o autor propôs uma ordem cronológica de leitura. Não aconselho esta ordem. Ele destrói muitas surpresas e também apresenta coisas sem a mesma magia. Melhor seguir a ordem de publicação. Que pode demorar um pouco mais nas idas e vindas, mas são de fazer chorar. Vou tentar evitar ao máximo os spoilers, mas acho que um ou outro poderão me escapar. Que Aslan me perdoe!

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The Lion, The Witch and The Wardrobe

Este é sem dúvida o livro mais importante das crônicas de Narnia. Não porque é o melhor ou por ser o mais bonito. Simplesmente é o mais famoso e geralmente aparece representando os outros seis livros em algumas listas de melhores livros ingleses do século passado. No entanto, não é por isso que ele seria melhor que os outros. Ele tem muitos méritos e também é o de leitura mais leve de todos. Posso até dizer, com um certo receio, que é o mais infantil também. Se uma criança não gostar dessa história, ela provavelmente tem sérios problemas!

Nele somos apresentados a quatro crianças inglesas (Peter, Susan, Edmund e Lucy) que se aventuram pela primeira vez no fantástico mundo de Narnia que até então era dominado por uma bruxa antiga e má. O meio de chegar a este mundo encantado foi um velho guarda-roupas (wardrobe). Para fechar o título só falta o grande herói da história: o leão.

Vale ressaltar que esse leão não é só para deixar a capa bonitinha; ele é o próprio Cristo/Deus (ou a representação do Cristo naquele mundo fantástico, como sugere a Wikipédia). E por que Deus precisaria da ajuda de 4 crianças inglesas para combater uma bruxa antiga e má? Bem, Deus escreve certo por linhas tortas. Com a onipotência vêm alguns luxos.

A Disney fez uma adaptação até simpática desse livro. Mas faz muito tempo que eu vi o filme, então não confiem em minha memória. O resto só lendo para não estragar a surpresa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ciência

Descobri que minha produtividade é inversamente proporcional à temperatura. Mas, sinceramente, nenhum ser vivo é capaz de sobreviver (e muito menos postar) numa terra onde 29ºC durante a noite é algo comum. Deixo aqui meu protesto climático.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal

Esse é bem rapidinho. Eu nem queria falar de critérios nem nada, mas me parece que qualquer pessoa que tenha lido 100 contos possa fazer um livro com os 100 melhores contos de qualquer coisa. Perdoemos o organizador, ele realmente se esforçou para fazer algo legal (mesmo que muita coisa classificada como humor ali possa entrar em qualquer outra classificação).

Este é um livro bem comum em bibliotecas e é ótimo para apresentar diversos autores a quem não iria se aproximar de um livro deles por acaso. Também o fato de estampar ‘humor’ em letras colorida na capa ajuda a atrair qualquer tipo de pessoa (mesmo aquelas que esperam 100 piadas de português).

Mas está valendo. Onde podemos ver uma coleção de grandes nomes ingleses, franceses, russos, italianos, japoneses, árabes e também alguns não tão grandes brasileiros entre outros? Ora, para uma coleção está ótimo (eu até faria algumas críticas, mas como sobram títulos; é só pular para o próximo). E, convenhamos, bastam algumas frases ou só um título para saber quem deve ser pulado ou não.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um vôo de pára-quedas sobre as idéias que se argüidas as seqüelas do seqüestro do trema em assembléia dariam enjôo no contra-regra.

Durante muito tempo eu realmente não soube o que dizer. A gente tenta aceitar o governo como um primo feio e chato que sempre aparece em sua casa porque vocês são primos. Você realmente não gosta dele, mas sabe que em algum lugar você tem que aceitá-lo e até bater uma foto de família feliz ao lado dele. Vale lembrar que esse primo é bem mais velho, barbado e adora roubar você de várias formas. Um bullier profissional que te espanca para que ninguém mais no bairro o faça. Ele até diz que faz tudo isso para nos proteger. No fundo no fundo, nós o aceitamos como ele é (mas não perdemos uma só oportunidade de falar mal dele).

Agora imagina teu primão chegando junto de você e te obrigando a desaprender todas aquelas besteiras que você foi obrigado a aprender com a justificativa de que todos são burros e agora obriga você a aprender de uma forma diferente e mais fácil. O pior é que todo mundo do bairro decidiu que o primão estava certo e esqueceu logo tudo aquilo que não conseguia aprender.

Mas calma lá! Não foi o primão sozinho que teve a brilhante idéia de facilitar as coisas. O primão barbudão apenas se reuniu com alguns parentes distantes e tiveram essa sacada genial de todos começarem a falar igual (e parece que todo mundo que fala essa mesma língua tem um primão assim). A idéia era que alguns priminhos menores (mas esse ao contrário de você são queridos) de cada um pudessem fazer mais amizades entre si e que eles próprios se entendessem melhor.

Chega de metáforas que já estou ficando confuso. Esse “novo acordo ortográfico” é bem simpático em simplificar a língua para que uma legião de pessoas que se entendem possam se entender melhor ainda e não ficarem com dúvidas (será que vai ter mais uma cartilha nesse novo portugüês?). Gosto de todos os contra apresentados aqui (link portuga) e baseio toda minha revolta daqui.

O primão pode ser violento e feroz. Posso até ser obrigado em outras condições a adotar o que o barbudão disser. Mas não acredito que aqui eu me veja escrevendo ideia ou linguiça. Shame on you, seu portugüês feio. Antes mudassem para trazer o anarchismo de volta, ou que a língua ficasse realmente anárquica.

ps: senti um pouco de vergonha e de desgosto ao ver que os jornais na minha terra se orgulharam de estarem no primeiro dia do ano já com a nova regra ortográfica em prática. A impressão deve ter atrasados umas boas horas só para que algum chato revisasse tudo aquilo que nessas mesmas horas antes virou erro. No fim, fico com o Tio Noronha.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Coraline

Confesso que a proximidade do filme e as promoções de fim de ano me colocaram este livro na mão. Aliás, as promoções só me atrapalharam, porque comprei tão na pressa que nem vi que estava em português. Mas ok, o Neil Gaiman merece.

Que dizer sobre Coraline? É uma menina pequena e aventureira. Gosta de explorar e tem pais omissos. De repente (como muita coisa nas histórias mais inglesas de Gaiman), ela descobre que a casa velha onde morava escondia uma passagem para um outro mundo. Noto também que ele adora essas coisas velhas espalhadas por ai que ninguém mais se lembra ao certo do que é. Não sabemos o que é isso porque a coisa mais antiga que conseguimos olhar em nossas terras não tem mais de 500 anos.

Poisé, esse mundo é antigo, fantástico e perigoso. É lá que Coraline vai aprender algumas lições e vai encontrar sua força. Poisé, há uma moral da história! Uma aventura com uma pequena menina inglesa tem tudo para ser legal, não é mesmo? Talvez não a da Madeleine, mas ai já é outra história.

Enfim, ótimo livro para se passar uma tarde de Natal. E o filme parece que também promete bastante!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Suicida

E no dia seguinte ele decidiu morrer. Não que no dia anterior tivesse acontecido qualquer coisa que o fizesse ter vontade de terminar aquela breve aventura chamada vida. Na verdade, esse era um de seus problemas. Nada lhe acontecia. E por ter uma vida tão cheia de nada, no dia seguinte ele decidiu morrer.

Antes disso precisava escrever uma carta que explicasse a todos o que o fazia dar cabo de si. ‘A todos quem, oras?’ pensou. Não havia ninguém a quem precisasse explicar o seu ato. Ainda assim, por desencargo de consciência, uma explicação seria bem vinda. Como ele sempre achou conversar consigo próprio é coisa de louco, calhou de escrever algo para si para ver se aquilo lhe bastava para dar aquele passo (para frente ou para trás? Àquela altura essa dúvida nem tinha mais importância).

Comprou uma resma de papel mesmo precisando apenas de uma folha. ‘Posso precisar passar a limpo’ pensou. Afinal, a última coisa que queria é que alguém tentasse ler seu último escrito e não conseguisse por estar ilegível ou garranchado. ‘Alguém quem, oras?’ censurou-se.

Caneta e papel em mãos, agora tinha que apenas deixar fluir seu pensamento. Sim, caneta porque para essas situações não se pode deixar como última obra um papel impresso que qualquer um faria até por brincadeira (e, na verdade, acreditava que muitas vezes os pensamentos de suas mãos eram muito mais claros que os seus próprios). Aquelas seriam as últimas palavras traduzidas em desenhos de quem deixava para trás esse tormento chamado vida; estariam todas carregando suas últimas emoções. Gostou de pensar em tormento e por ele começou sua carta.

Porém o tormento não lhe bastou para que se desse cabo. Pensou que muitos sofrem por ai e nem por isso saem fazendo o que iria fazer. Sentia dor da posição em que sentava. Isso a dor dos que vivem neste mundo ingrato. Conflito, dor, insatisfação. Estes eram bons motivos. No entanto, nisso havia um pequeno problema. Não se sentia em conflito com nada. E aquela sua dor estava longe das que as mulheres sentem no parto, então seria pouco nobre achar que ela valeria uma vida.

Mas claro! Como se havia esquecido dela? A solidão lhe era um bom motivo. Não tinha para quem nem com quem viver neste mundo. Isso lhe sairia bem, mas lembrou que no seu egoísmo viver para e com alguém era uma grande bobagem. Bobagem essa só superada pelo que iria fazer se usasse aquilo como motivo.

Pensou em investir mais uma vez na insatisfação que já havia esquecido, mas achou que se já a havia esquecido é porque ela nem valia a pena. Tentou finalmente a simplicidade. A tristeza era o seu maior trunfo e ela se bastava em si. Logo percebeu que tristeza nenhuma se basta em si e que ele estava novamente sem bons motivos.

No fim, lá ia ele pela vigésima ou trigésima folha sem que nenhuma lhe tivesse trazido um motivo convincente. Acabou desistindo até achar um bom motivo. Teve três filhos e escreveu duas autobiografias. Quando se matou, anos mais tarde, estava agarrado a uma crítica literária de sua última autobiografia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

The Wizard of Oz

Quanto chão precisamos andar para conseguir aquilo que buscamos? Nos tempos do Google essa pergunta perdeu muito de sua força. Mesmo assim ainda podemos tentar pensar em quantas paisagens alguém que procure um coração, um cérebro ou coragem vai precisar percorrer. E pior, onde diabos fica o Kansas? Dá para chegar lá de Ônibus? Google Maps?

The Wizard of Oz conta a história de como Dorothy foi levada por um furacão até a terra encantada de Oz. Lá ela vai em busca de uma forma de voltar para casa. Pelo caminho Dorothy encontra três companheiros, um lenhador de lata, um espantalho e um leão covarde, cada um em busca do que seria o mais importante para si. E a partir daí o grupo segue em aventuras que quase todos já sabemos e/ou já vimos nos cinemas ou adaptações.

O livro de L Frank Baum não tem nada de surpreendente (a não ser o autor que ninguém conhece) porque todo mundo já sabe o que vai se passar. Mas nada o impede de ser um belo conto de fadas com tudo o que as crianças gostam (ou pelo menos deveriam gostar se fossem saudáveis). Aliás, a proposta do autor era exatamente essa em sua introdução.

Enfim, mesmo sabendo de tudo que virá, realmente vale a pena ver como a pequena Dorothy e seus companheiros exploram a fantástica terra de Oz (o Grande e Terrível) e nela encontram a moral da história.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Looking For Alaska

Sabe aquelas comédias românticas que você não consegue deixar de ver apesar de já saber de tudo que vai acontecer e de já ter ouvido seu primo de oito anos contar aquelas piadas? Não é nada parecido com isso. Ok, esta obra de John Green pode ser tão despretensiosa quanto qualquer comédia romântica, mas certamente é mais magnética que uma. Magnética, acho que essa é a palavra que melhor define esta Looking for Alaska. Você simplesmente começa a encontrar muita dificuldade em parar mesmo sabendo a cada linha que não está lendo nada genial.

Afinal que mal há em ler algo não genial, mas completamente legal? Nele encontramos o perfil do adolescente nerd / loser e como essas figuras tem seus problemas e tudo mais. Problemas que um dia já foram nossos (ou ainda são). De certa forma, podemos dizer que os adolescentes são meio piegas mesmo. Precisam crescer e muitas vezes nem sabemos quando isso de fato ocorre. Green trabalha um desses momentos.

Ele lembra um daqueles paradidáticos nisso, mas não é como os paradidáticos nacionais cheios de lições de moral e frescuras com tempero Malhação. Os personagens estão longe do que se chama de padrão em suas peculiaridades. No entanto, o "sofrimento" é o que os une. Coisas de adolescente. Ah, o livro também tem muito de cultura nerd, mas isso nem é opressivo.

Enfim, é um ótimo e rápido livro para se ler sem medo de ser feliz. Diversão certa.

Um pedaço que o Garoto Singelo roubou aqui.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Auto da Compadecida

Realmente não há muito a se dizer dessa peça. A adaptação para as telinhas por Guel Arraes foi muito fiel ao livro. Apenas deram jeito em algumas sutilezas. Por exemplo, eliminaram três personagens que existiam na peça: o frade, o sacristão e um demônio. De quebra, colocaram um valente só para ilustrar a falsidade da mulher do padeiro.

Também foi muito sutil o caso da bexiga com sangue. Na peça, o Grilo faz aquilo para se vingar da patroa e é isso que vai condená-lo no julgamento. Nas telinhas tiraram essa parte por censura e a usaram no caso do Grilo disfarçado de Severino de Aracaju e Chicó ia ser o valente a sangrá-lo.

Aliás, a parte onde mais sentimos as sutilezas é no julgamento. É lá onde todas as coisas que foram mudadas anteriormente acabam mudando de fato a peça. Na peça, todos são bem justificados e realmente ficam a merecer seu lugar no purgatório. Na adaptação, eles ficam mais por causa da misericórdia divina do que por qualquer outra coisa.

Um grupo de personagens que mal aparece aqui, mas é citado no filme é o do Marjor Antônio Moraes, sua filha, o valente (já citado) e o policial. Não sei ao certo, mas acho que eles contam tentam contar a história do Santo e a Porca, também de Ariano. Vai ver que é por isso que fica tudo meio embolado no filme.

Ah, na peça há também um narrador. É um palhaço que vem e volta. Praticamente um João Grilo II, mas que sabe de tudo que se passa. Sua função é mais animar e dar tempo para as mudanças de cenário, mas mesmo assim gostei dele.

Nah, queria só falar mal de como todo mundo é martirizado na adaptação. O julgamento é a prova disso. Na peça, todos são justificados por um pensamento racional (pecaram, mas também fizeram boas ações, então vão para o purgatório). Os cangaceiros vão para o céu porque são coitadinhos na adaptação. Na peça vão porque são um instrumento de cólera divina. E, por fim, o João dá uma de piegas na adaptação e se diz condenado indo em direção ao inferno. Ora, na peça o amarelo nunca desistiu de salvar o seu couro, por que iria desistir agora que tinha a melhor das advogadas?

Enfim, é legal ler a peça porque é bem rápido; basta uma tarde. Mas é meio impossível você não comparar com o filme e fica meio que enfadonho ler aquilo que você já viu. Mesmo assim ainda vale a pena.

ps: e também li numa edição belíssima da Agir. É um dos poucos livros da biblioteca que deu vontade de roubar porque é bonito, mas sou um bom rapaz e não faria isso.

sábado, 22 de novembro de 2008

A Verdade das Mentiras

Mais um livro que vai para minha sessão de 'livros escolhidos ao acaso' na biblioteca. Parece que sou realmente bom nisso, porque este também me surpreendeu. Quando o peguei, achei que era somente um livro de um escritor peruano de renome analisando os seus 35 romances prediletos (bem naquele nível de comentário: "adorei o suor escorrendo naquele close na bunda cabeluda do turco). Apesar do nome brega, a proposta de Mario Vargas Llosa é bem clara: analisar mesmo 35 romances do século XX que trazem consigo o melhor do que pode haver num romance, que é a arte de convencer e de fazer o leitor se sentir bem. Basicamente, ele propõe que um romance deve mentir para nos atrair e que só assim podemos ficar felizes.

É bem legal. Pelo menos para quem já leu aqueles livros (alguns, ok), é interessante para ver um ponto de vista diferente. É a visão de quem estudou o livro e quis por meio daquele livro estudar o romance do século XX de forma geral e que ao mesmo tempo dá sua opinião casual. No começo parece meio improvável que ele vá conseguir cumprir a promessa do título, mas não é que ele a leva até o fim. Além disso, ficamos por dentro de 35 livros que realmente merecem alguma atenção (foi lá que fiquei sabendo d'O Estrangeiro de Camus).

Muito bom livro para quem gosta de ler sobre literatura (e que deu o sopro vital para que meu ante-projeto finalmente fosse para o papel). Enfim, leiam!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Estrangeiro

Soube deste livro por causa de um livro maravilhoso de Mario Vargas Llosa que estou lendo. Confesso que não me interessou muito saber da história do monsieur Meursault pelo que foi dito por Llosa. Basicamente, ele é um homem indiferente a tudo e sem aspirações nenhuma que um dia acabou fazendo algo que deu uma certa guinada em sua vida (sei que isso não faz o menor sentido, mas se eu disser mais vou acabar caindo num spoiler). Lembrei do livro quando fui obrigado a ficar uma hora solitário na Livraria Cultura. Que fazer? Fui dar uma olhadela.

Pior que nem esperava nada de um plot que não pode ser explicado sem spoilers, mas acabei lendo um terço do livreto naquela hora. E, wow, praticamente não vi o escritor d'A Peste naquilo. Encontramos nele o monsieur Meursault que apesar de ser incapaz de sentir qualquer emoção (um Dexter francês) ainda consegue atrair nossa atenção. Ele não parece de todo errado em sua indiferença em relação ao mundo. Só não tem crenças e nem muita vontade de conviver com todas aquelas pessoas que têm aquela necessidade absurda de mostrar que é um ser humano ao dar espaço às suas emoções (e, sim, demonstrar obrigatoriamente que se é um ser sensível aos outros pode ser um saco).

Uma vida que é uma droga não precisa de espaços para emoções. O mesmo vale para um vida completamente simples e padrão (pois se espera muito mais atos que sentimentos dessas pessoas). O narrador personagem poderia ter vivido ainda alguns bons anos se acaso não tivesse calhado de matar um árabe por causa do sol. Yup, ótima justificativa para se matar uma pessoa. Noto que acabei soltando um detalhe que divide a história, mas, sinceramente, isso não importa. Até a contracapa do livro diz isso estragando a surpresa.

Surpresa mesmo é o seu julgamento. Por que se julga um assassino? Imagino que seja para fazê-lo pagar de alguma forma por um crime que ele cometeu. Mas ali tínhamos um réu confesso e que apenas aguardava a escolha de seu destino. Sim, ainda indiferente. Não sei ao certo porque, mas no fim acabei lembrando de Julien Sorel de Stendhal. Ia ser curioso imaginar os dois frente a frente no último momento. Que diálogo egoísta os dois seriam capaz de compor juntos, hein?

Mas após estragar todas as surpresas o que ainda se pode dizer do livro (quase um conto)? É muito bom. Tipo, bom mesmo. Mesmo no sentido de que mesmo sabendo da história podemos pegá-lo e lê-lo de um só fôlego. Ao fim iremos nos julgar na figura de Meursault e também julgaremos seus inquisidores. É complicado não fazer isso. Principalmente talvez esse seja todo o ponto da história e que é quando separamos Meursault do resto que (obviamente) nota-se o porquê dele ser estrangeiro.

Enfim, vale a pena ser lido e, de certo modo, mostra que Albert Camus talvez tenha algo muito bom a dizer em alguns momentos. E é melhor terminar antes que eu acabe escrevendo um post maior que o livro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Time stands still at the Iron Hill

Acho que esse é o oitavo post que começo e desisto no meio. Se eu não desistir isso deve significar alguma coisa (vai lá saber o que). Hoje eu realmente parei para assistir televisão e de repente fui atingido por um pensamento bombástico. Havia muito tempo que eu não assistia televisão. Muito tempo mesmo. Eu praticamente tinha me transformado num daqueles experimentos fracassados de pessoas metidas que dizem que não assistiam televisão e que viveriam sem ela. De repente comecei realmente a viver sem ela quando comecei a me isolar completamente do mundo em um pico isolado e infernal em minha terra (mas realmente sinto muita falta de ver os gols do campeonato sem precisar esperar uma longa barrinha encher [e sem precisar sonhar em ver o Neto de surpresa enquanto estiver trocando de canal {o que me leva a pensar se realmente a Band precisa daqueles comentaristas torcedores paulistas? Eles realmente atraem o ódio de todo o resto do Brasil que não torce pro Corinthians}])

Enfim, bastou ver o William Bonner envelhecido para notar quanto tempo fiquei sem ver Globo. Só de vê-lo me senti envelhecido e finalmente descobri um bom motivo para não assistir nada Globo (ou qualquer outra emissora com programas estáveis [a não ser o SBT porque o Sílvio Santos nunca envelheceu para não constrager nenhum telespectador]). Pior é que realmente fiquei constragido quando falaram do Obama lá. Preferia que simplesmente esquecessem toda essa história de primeiro negro e tudo mais; já me basta o stumble enchendo o saco com isso (coisa parecido só vi na eleição de Lula [sim, sou velho o suficiente para lembrar dela]). Não importa, Bonner roubou minha atenção com seus comentários dignos de dono de barraquinha de cachorro quente de jogo de futebol. Fiquei apenas pensando 'will he ever retire?'. Bem, acho que não (jornalista bom é jornalista morto! oh yeah!).

ps: fico pensando se já escrevi algo com tanta digressão e falta de sentido assim?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Neverwhere

É só pegar o livro e ler na capa mais uma comparação com Alice no País das Maravilhas. Isso significa muita coisa. Assim já sabemos que vai acontecer uma viagem e uma pessoa vai sair de seu dia-a-dia normal. Wow, disse tudo hein. O legal é que essa classificação envolve histórias como a de "Ferris Bueller's Day Off" (Curtindo a vida adoidado, se não estiver errado) e Senhor dos Anéis. Alice é um ótimo livro, mas essa coisa de tomá-lo como medida de todas as coisas é meio, hã, errada.

Neverwhere conta a história de Richard Mayhew e como ele fez uma viagem fantástica a uma Londres mágica que existe embaixo da verdadeira. Por ajudar uma jovem que estava sendo perseguida, Richard passa a ser parte da Londres Inferior e começa a ser completamente ignorado pelos londrinos superiores. É enfrentando e andando por lugares esquecidos (além de tropeçando em alguma piadas londrinas que para mim não significaram nada) que Richard faz o seu caminho e sua história.

Ok, agora com esse resumo, volta a dúvida: o que diabos isso tem haver com a Alice? Chuto que seja a equação: "pessoa => viagem maluca". Nem preciso dizer que isso não é uma equação válida.

Neverwhere, apesar de fantástico, se passa nos esgotos e subterrâneos de Londres. Locais que foram esquecidos são seus cenários. Lá embaixo uma civilização inteira de pessoas perigosas e coisas irreais têm lugar. Mas é exatamente isso que difere de Alice. As coisas são fantásticas, mas lógicas. Elas foram se acumulando lá embaixo, mas foram ocupadas por habitantes que estabeleceram domínios. Tudo é meio magicamente óbvio. Earl's Court deixa de ser um lugar para ser uma corte. A Nightbridge faz jus ao nome e por ai vai. É uma lógica bem legal (apesar de fazer muito mais sentido pra quem esteve em Londres e é por isso que tem um mapa da cidade no livro).

Agora, depois de protestar, posso confessar que desde que li Pedra do Reino e assisti aquele seminário que eu estava cabreiro com Neil Gaiman. Eu achava ele o máximo, mas depois desses eventos pensei: "o que há de bom nele?" Ai decidi ler Neverwhere para procurar descobrir se ele é bom ou é só mais um best seller vazio. Wow, ainda bem que me vi errado na desconfiança.

Gaiman é realmente bom. Pode não ser um mestre na forma e estar mais próximo de King que de um Saramago. Mas ele é genial nas sacadas. A criatividade fantásticas para trazer histórias bonitinhas cheias de um mistério, uma sabedoria esquecida e aventura parece realmente ter nascido com o escritor Gaiman (e aqui gostaria de lembrar que o roteirista é diferente. Nos quadrinhos ele faz algo mais próximo ao terror e ao gótico. Mas não tão bem. Ele beira um senso comum [ou então foi responsável por estabelece-lo]).

Enfim, acho que ele traduz bem a fantasia moderna e Neverwhere é um excelente exemplo. Não importa que seja previsível, o legal é seguir os passos de Richard naquele universo fantástico. E lembrando de uma frase de ETA Hoffman que o Gussie me mostrou, encerro: "people will very soon cease to believe in fairies once they begin to walk among them".

domingo, 26 de outubro de 2008

Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta

Esse eu posso chamar de tijolo sem medo de ser feliz. Também posso a recomendar a qualquer pessoa sem nenhum medo de ser feliz. Coincidências? Mas isso nem importa; o que vale é que eis aqui uma obra que posso dizer "wow" de boca cheia. Uma obra com uma carinha de América Latina. Será que deveria dizer sertaneja? Não creio. Assim estaria deixando Ariano Suassuna no mesmo patamar que os 99% dos autores chatos e ruins que povoam minha terra e tentam nos sufocar com um regionalismo bobo do tipo ‘o que é daqui é melhor que o seu, lero lero’.

Por que Ariano sai desse povão? Bem, primeiro temos aqui uma obra com alguma preocupação estética (sim, as pessoas na minha terra acham que reler significa ‘deixar de fazer uma obra pura e sua’. Eu prefiro coisas boas a coisas puras). A Pedra do Reino conta a história de Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, o Decifrador. Na verdade, ele é um cantador e burocrata dono de bordel sem grandes perspectivas, se olharmos de fora. Para si ele é o quinto Rei da Pedra do Reino, o verdadeiro Império do Brasil. Dom Quixote? Talvez, mas o cavaleiro da triste figura busca coisas diferentes do rei Dom Pedro IV.

Dom Quixote poderia ter sido cavaleiro dos que desejava ser se tivesse nascido umas boas centenas de anos antes. Já o Quaderna estava impressionado com a história de seus ascendentes que 100 anos antes haviam formado o verdadeiro Império do Brasil na Pedra do Reino. O antigo império havia lavado com sangue duas místicas pedras que eram o castelo do Reino, mas fora derrotado em pouco tempo e sua história esquecida.

Quaderna, assim como Dom Quixote, quer reviver esse tempo e os privilégios que sua família possuiu. Mas não nasceu para soldado e sua coragem deixava muito a desejar. É quando durante uma conversa com seus tutores, amigos e parasitas, Samuel e Clemente, ele descobre que há uma forma de reaver a glória perdida. Ele e só ele poderia ser o Gênio Máximo da Humanidade e escrever a Obra da Raça. E não é que o desgraçado consegue!

Sua obra se propõe a contar uma história de aventura, amor, sangue, vingança, fantasia, religião, mistério e glória. Nisso o Quaderna opta por contar sua própria história, começando com o que o leva a estar ali preso em 1938. É engraçado como muita realidade se mistura na ficção aqui. Tanto para o leitor quanto para Dom Dinis. Samuel, integralista (ou armorial, embora segundo o próprio Ariano isso seja questionável), e Clemente, comunista, ajudam muito nessa confusão de datas, citações e eventos semi-históricos que mostram uma realidade sertaneja sem aquelas perebas, fomes e mortes. Aqui tudo precisa brilhar.

Encontramos nele uma obra sertaneja e universal. Como me disseram lá no seminário de literatura, esta seria a obra máxima do barroco brasileiro, mas cá tenho minhas dúvidas sobre isso. Só sei que é o melhor livro escrito em português que já li. Além disso, só por curiosidade, Ariano Suassuna é realmente muito gente boa e um moooonstro de formação clássica. Penso que sua literatura merece mais reconhecimento que suas interpretações globais. Enfim, Tiro meu chapéu.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De quando eu fui num seminário Letras

Holy crap, estive mesmo em um! Eles iam falar sobre literatura clássica e o Gussie me convenceu a dar uma olhada. Aparentemente ia ser mui bom, apesar de eu ser obrigado a atravessar duas cidades para chegar na universidade (e todos sabem que o tempo que você fica na universidade é inversamente proporcional à vontade de ir lá [oh, esqueci que ainda tem gente que quer entrar. É bein legaulz, gentix. Podjem ir lááá!). Enfim, acabei indo esperando encontrar alunos de Letras falando besteira (o que de fato havia) e algum professor com três idéias ruins e uma boa pelo motivo errado.

Mas não é que havia professores com boas idéias (ponto). Incrivelmente também havia alunos de Letras falando coisas legais! Mais incrivelmente ainda aparece Ariano Suassuna de repente e me surpreende mostrando ser um monstro no tema!

Emoções demais para um só dia e olhe que ainda vem mais (não é todo dia que tenho meus preconceitos abalados, infelizmente). Ai ai, de repente a universidade apronta poucas e boas para a melhor (ok, ainda assim é melhor esperar até o final antes de dizer qualquer coisa, afinal universidade pública nunca se sabe...).

Continua no próximo capítulo (se eu sobreviver).

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

As Mil e Uma Noites... mentira!

Ps: (agora alguém deve se perguntar porque diabos há um ps na frente do texto e na frente do ps há um comentário nada relacionado só para perder o tempo alheio e que na realidade não há nenhum ps a ser dito [wow, três ps's na mesmo frase!]. Bem, só deu vontade de fazer, perdoem meus caprichos).

Esse texto ia ser sobre eleições e acabou sendo. Falar tudo o que já foi dito por ai. Que votar em branco ou anular é que é a vibe do momento e que se ganhou alguém na sua cidade azar o seu. Também ia falar coisas engraçadinhas como dizer que em minha cidade disputaram uma das vagas na nossa querida câmara omissa Reginaldo Rossi, o rei do brega nordestino, Odete, a maior cafetina de pernambuco, e He-Man, para combater o atual prefeito que era um fóssil vivo (possivelmente eu poderia dizer que ele estudou na mesma escolinha que Dercy só para me sentir cool e mais novo). No fim, as eleições municipais são uma experiência frustante em nível menor.

Ai veio a lembrança do terceiro volume das Mil e Uma Noites (aquela edição linda da ed. Globo que custou a minha vida). Num mundo fantástico de vastos territórios selvagens onde só se encontra areia e mar, existem cidades. É interessante ver que nas cidades o que manda é o gosto do povo e um pouco da sorte de 'estar no lugar certo e na hora certa'. Algumas histórias trazem reis malvadões e corruptos que são substituídos por estrangeiros de bom coração, índole e origem (lembrando que é tudo obra do divino nesses casos embora seja o povo que dê um belíssimo pé na bunda nos reis). Enfim pressupõe-se que você tenha que ser justo e fiel (e muitas vezes simplesmente não atuante) para ser um bom rei, caso contrário a porta da rua será a serventia da cidade.

Sempre penso que seria tão mais legal se as coisas ainda fossem obra do divino. Mas lembro que não se pode discordar (a não ser com dez milhões de assinaturas numa petição online) e ainda somos obrigados a entrar numa festa democrática do direito obrigatório. Um rei e um vizir como primeiro ministro parece uma coisa tão mais lógica. Se eles forem corruptos, ai Deus castiga. Infelizmente, como não funciona na prática, temos prefeitos (mas se funcionasse, quantos prefeitos sobrariam no Brasil?).

O acaso sempre traz coisas boas apesar das adversidades. Na história de Simbad, o marujo, (que na verdade é um mercador marítimo) temos uma demonstração disso. Todas as viagens de Simbad são fantásticas e quase levam o mercador à morte (aparentemente quase morrer é fantástico). Mas o acaso sempre o salva e presenteia-lhe com riquezas. Por isso quando envelheceu ele bebe e come de tudo aquilo que conquistou em vida com sua família e prova a um outro Simbad, o estivador, que ele sofreu para estar lá e merecer o que conquistou.

Será que é por isso que no Brasil votamos em toda sorte de candidatos ruins para que no fim de toda história sejamos recompesados com algo bom? Ou é só para dizermos que sofremos e merecemos o que temos? Difícil, até lá vamos tomando remédio pra curar a ressaca dos boca-livres eleitorais.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Direito de resposta

De repente chega o final de semana e você percebe que a criatividade de todo mundo aflorou menos a sua. Todos estão a dizer coisas legais ou pelo menos coisas que foram ou um dia vão ser legais. Eles não precisam dizer de forma legal, é verdade, mas só de falar nessas coisas parecem já vale. Como fazem isso afinal?

De repente chega o final de semana e você percebe que ainda não tem nada para dizer. Simplesmente nada. Mente limpa e clara. Aliás, a cada minuto que passa sem que tenha nada a dizer só confirma algo: você nunca mais vai dizer nada. Isso pode até ser verdade e uma verdade até confortável. Afinal, para que ficar falando por ai coisas legais a todo mundo? Não é melhor simplesmente guardá-las para um dia sem graça ou quando ninguém mais tiver nada a dizer?

De repente chega o final de semana e você percebe que o direito de permanecer calado é pretty cool. Porque, além de se reservar a não dizer nada, você ainda ganha tempo para arranjar o que dizer e da forma certa (se é que existe uma forma certa de organizar palavras. Tudo que é definido por lei me é muito suspeito). Não que você consiga achar algo a dizer nesse tempo. Pelo menos você sente que está tentando mudar em algo ou fazendo algo. Ficar parado não parece da natureza humana (a não ser no funcionalismo público, mas já há relatos de servidores com coração).

De repente chega o final de semana e você a vê. Em algum cantinho sem chamar atenção. Tão sem palavras quanto você. Ou melhor, tão sem palavras quanto você era antes. Porque agora você está em dúvida e a dúvida sempre vem em forma de palavras (e geralmente palavras deslocadas porque não somos ensinados a ter dúvida, mas sim a matá-las). Você duvida de sua incapacidade de falar, duvida de sua mente clara e limpa, duvida até que um dia pensou no direito de permanecer calado como algo pretty cool (agora o cinema mudo não é nada além de brega). Duvida, principalmente, que vá conseguir passar um só dia sem ter algo a falar em sua companhia. Com ela, até o silêncio parece tagarela.


lyrics

domingo, 21 de setembro de 2008

Mr. Sandman, bring me a dream

Sonho com o dia que alguém olhará para meu cabelo e dirá: "é preto mesmo". Não que não seja. Mas ninguém acredita que é. Preto parece ser uma cor natural não existente em minha terra. As vezes, é pior que louro no quesito credibilidade. Por isso que, por exemplo, pessoas que conseguem soletrar metrossexual ao contrário olham para ele e perguntam se é pintado. Pô, sou machão pernambucano daqueles com três cojones roxos, essa pergunta é chata. Isso me faz sonhar no dia em que as pessoas vão perceber o que é evidente sem precisar ficar repetindo ou usando o óbvio como argumento. Exemplo: "evidentemente, calor esquenta". Sim, evidentemente não pinto o cabelo (o que é evidente).

Falando em sonhos, tenho alguns outros: quero ser ferreiro, carpinteiro, capitão de navio e contador de histórias. Por um motivo nobre e egoista, sempre achei os pais de filmes de família legais. Eles sabem fazer tudo que a casa necessita. Nessa hora alguém deve ter lembrado que a casa necessita de eletricistas e alguém que entenda de encanamentos. Como um bom pai de família de cinema, eu também sonho em me meter no que não entendo. Possivelmente, farei a casa ruir, mas espero que alguém me faça perceber que não entendo daquilo um pouco antes disso (afinal com os pais de família de cinema, o único argumento válido é o coração).

Vou gastar uma vida recuperando as besteiras que fiz (um pai de família de cinema não vive com o coração em pedaços). Assim, terei muitas histórias que os netinhos ouvirão antes de dormir, com as devidas alterações, como a inclusão de supervilões e coisas mágicas. Não que as histórias sejam ruins (vale lembrar que serei um contador de histórias), mas elas vão fazer os pequenos sentirem vontade de sonhar seus próprios sonhos. Penso que serão bons sonhos. Com muito bang bang, piratas e cavaleiros, espero. Sei que qualquer educador ou psicólogo metido vai dizer que isso é má influência. Mas o que diabos eles entendem de sonhar afinal?

Só dispenso ser viúvo e ter duas filhas gêmeas que vão ficar me forçando para arranjar alguma namorada ao gosto delas. Nups, os pequenos têm que saber o seu devido lugar.


lyrics

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

The Catcher in the Rye

Holden Caulfield é o adolescente que fomos (e que alguns nunca deixam de ser). Por algum tempo somos rebeldes e não nos encaixamos no "sistema" chamado vida. É quando andar sentado numa escada rolante é um protesto contra tudo e todos (não importando o quanto ficamos com a bunda suja no processo). Apesar de todos os protestos ridículos e da falta de um bom motivo, as vezes sentimos que essa é uma fase perdida de nossas vidas. E se alguém disser que todos aqueles problemas existenciais e piegas que enfrentamos são reais e que são um assunto para se levar com seriedade, pois se não forem superados podem fazer de você um, hã, desajustado? Eu diria que já vi isso em Malhação, mas JD Salinger me parece muito melhor nisso (até porque Malhação fala apenas de jovens adultos imbecis que tomam suco para curtir melhor a night com a galiera).

De agora em diante eu fico muito tentado a sugerir esse, esse e esse vídeos para se ter uma idéia de tudo que se fala por lá. Alguém distraído e insensível pode passar pelo livro inteiro pensando em Holden como um fresco problemático que odeia o mundo inteiro porque todos vivem numa falsidade descarada e que, muito provavelmente, ele (Holden) apenas gostaria de viver nessa falsidade sem se sentir mal. Esse insensível seria chamado de phony pelo Holden. E seria merecido. Após acompanhar Holden por meio livro simplesmente tentando ser ouvido por alguém e falhando, só alguém insensível e phony conseguiria achá-lo mais um drama estilo Malhação. Ele fica deprimido exatamente como qualquer ser humano ficaria. Até aquele gordo de cueca jogando World of Warcraft às três da manhã do sábado ficaria triste nessa situação.

O curioso é que, apesar do papel que tem, não é exatamente a tristeza quem leva o Holden a ter sua pequena aventura de 48 horas mais ou menos. É a esperança de que mesmo no fundo do poço ainda há uma saída que guia Holden. Por muito tempo, ele crê que a saída seja a fuga, o isolamente e até a morte algumas vezes (oh yeah, mesmo assim não perdôo os emos). Ficamos fascinados por isso.

Não pelas saídas ruins, claro. Mas sim porque Holden Caulfield é muito real. Isso me levava a vez por outra pensar em The Truman Show. A sensação de que estamos vendo uma história real se passando com alguém real e que não queremos influenciar só para ver o que o cara lá faz para continuar sua história é constante aqui. Pelo menos a vida do Holden não era uma grande farsa como a de Truman (e é aqui que as semelhanças findam). Principalmente porque é ele é o narrador da própria história. Isso é um dos tchans da história. O que levou aquele cara tão real que estava tão mal a falar sua própria história de forma tão longa e detalhada, principalmente, quando notamos que ele passa o livro inteiro sem conseguir se fazer ouvir por alguém?

Fico tentado em me responder e estragar uma leitura de alguém, mas lembro que o universo inteiro já leu esse livro e sou eu que estou atrasado aqui. Enrolei demais para lê-lo e me arrependo de ter feito isso. Um livro ótimo para saber se você tem, se já teve ou se ainda vai ter um coração algum dia. O meu está aqui com o Holden e com todas as pessoas que gosto.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

10 bolas de sorvete um real

Estamos numa nova era. A tecnologia invade o nosso dia-a-dia e faz Jornada nas Estrelas parecer um brega setentão (blábláblá...). É até estranho pensar que isso acontece no Brasil; afinal aqui temos uma cultura forte e cultura impede qualquer avanço tecnológico (em minha terra, a cultura impede qualquer tipo de avanço. Até o mental). Sempre imaginei o Brasil como uma imensa ilha quente, sem fronteiras, cheio de mulatas seminuas que sambam enquantos os muleque jogam uma pelada. Não precisaremos de inovações melhores que uma caixa de fósforo, radinho de pilha ou freezer (a cerva PRECISA ser gelada, disso não se abre mão).

Aliás, a tecnologia tem uns aspectos curiosos em minha terra. Penso que nunca vamos ser evoluídos porque as pessoas simplesmente preferem continuar vivendo de forma ruim. Sim, opção própria. "A tradição nos trouxe até aqui" me parece uma outra forma de dizer "o que não mata engorda". Se algo é tecnológico, então deve ter uma bruxinha do capitalismo fazendo feitiçaria dentro daquele celular. Ou, por algum motivo aleatório, o toque polifônico destrói a alma do frevo (que cresce assustadoramente lançando zero músicas novas por ano. [Aliás, é muito curiosa a tradição que vive de subsídio, mas como Mestre Salu bateu as botas esta semana então deixa quieto]).

Indo direto ao ponto: o pernambucano tem um severo problema em lidar com coisas novas. A situação onde melhor vejo aplicada essa máxima é quando acontece o dilema do ar condicionado coletivo.

Supondo que estejamos numa sala que fica numa terra onde a temperatura mínima durante a noite do inverno à sombra da lua chega aos 24º. A sala está cheia de gente. Não é preciso pensar duas vezes para deduzir que ela esteja quente. Mas a ciência moderna inventou algo para esses casos. Uma maravilha chamada Ar Condicionado que é capaz de aliviar um calor, chamado neste exemplo de infernal. Infelizmente essa não é uma sala com pessoas quaisquer. São pernambucanos. Bastará que a temperatura chegue aos 29º para que alguém comece a pensar no frio. 28º já vira região sul. 27º Buenos Aires. 26º Europa. 25º Era glacial. E vale ressaltar que essas temperaturas são as indicadas pelo aparelho, afinal somos incapazes de dizer a temperatura sentindo o ambiente e muito menos definir frio ou quente.

Temos um sangue quente e revolucionário, não é a toa que somos o Leão do Norte. Fatalmente, alguém vai reclamar. E pior, como temos o hábito de perder revoluções, simpatizamos com qualquer tipo de reclamação. Com uma turva sensação térmica e o apoio das massas, o ar condicionado sempre sai de vilão. E para que dialogar sobre a questão? Oh yeah, muito sangue será derramado por causa dessa inovação segregadora.

Se o pernambucano quiser algum dia poder dizer que finalmente evoluiu em algo, poderia começar percebendo para que serve um ar condicionado.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ninguém Merece

Lá está você sentado, deitado, trabalhado ou apenas mamando nas tetas gordas do Estado. Se estiver em casa, pode deixar sua mente ir para qualquer parte do cosmo, seja no presente, futuro ou passado (ou nenhum deles de preferência). Já se estiver em locais públicos, então você corre um sério risco de ouvir um ditado popular. E nem falo dos mais simples moralistas (aqueles velhos do tempo onde ditados queriam dizer alguma coisa). Ninguém nem se lembra mais que quem com ferro fere, com ferro será ferido (até porque o chumbo da atualidade quebrou a rima).

A tal da mente social coletiva é responsável por criar muitas gírias sem graça e de mau gosto que nossos ouvidos distraídos acabam pegando. "Ninguém merece" é uma dessas expressões populares altamente questionáveis. Ela é usada em qualquer situação sem o menor critério. Exemplos:

- Está chovendo. Ninguém merece...
- Está fazendo sol. Ninguém merece...
- Como o cara perde um gol daqueles? Ninguém merece...
- Bombei no vestibular. Ninguém merece...
- O mundo vai acabar amanhã. Ninguém merece...
- Vou passar cerol na mão! Ninguém merece...

Ok, cansei. Já deu para notar como não é necessário critério nem contexto para mandar um 'ninguém merece' quentinho nos ouvidos de alguém. Há pouco tempo, os populares decoravam algumas centenas de ditadinhos (ou os criavam, sei lá) para usar em cada ocasião com o máximo de precisão. Casa de dentista sem fio dental: "casa de ferreiro; espeto de pau". Tudo no intuito de demonstrar sabedoria e pôr sua cultura inútil em evidência.

Mas havia nos ditadinhos antigos uma criatividadezinha meio romântica (ou pelo menos uma rima besta). Hoje, o melhor que se cria é um 'pé rapado' de Malhação no lugar do tal 'sem eira nem beira'. Antes chupar prego para ver se vira parafuso.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Velho e o Mar

Um dos raros casos de tradução literal de títulos do inglês para o português. Rara também seria a beleza dessa história se eu estivesse ouvindo algo emo por aqui. Só posso dizer que é mó bonitinho e simpático, como toda e qualquer história que fale de pobre e sofredor ("que é antes de tudo um forte").

Um velho pescador chamado Santiago cai no mar para ver se afasta a quizumba de passar 84 dias sem fisgar nada. Ele se arrisca mais para os outros seguindo para o mar aberto e lá pesca o maior peixe da sua vida (de sua vila e de sua ilha, provavelmente). Claro que nada é fácil para pobre. Ele precisou de 2 dias para conseguir capturar o peixe em um duelo homem x natureza.

Duelo esse que trocando um peixe por um samurai e trocando a linha de pesca por uma espada seria bem nerd. Eles têm essa paixão por coisas lentas e introspectivas, algo como: "sou o cara mais foda do universo inteiro, o que preciso para vencer meu inimigo supermaisfodaqueeu é apenas encontrar o meu eu interior". E voi là; fim de luta. Geralmente termina com uns dizeres à la 'o meu Kung Fu é melhor que o seu'.

Hemingway não fala de bobagens para salvar o mundo e nem encontrar o eu interior. Ele simplesmente fala de um velho sem sorte e debilitado que conseguiu lutar contra todas as adversidades usando apenas sua experiência para fisgar o maior peixe das paradas. O velho se supera, mas não previra que a luta não estava terminada. Seu peixe é devorado por outros e no fim temos apenas um velho pescador sem sorte e triste (o que nos deixa triste, por sinal).

É um livro bonito. Não indicado para quem quer um pouco de ação, claro. Mas é um dos tops daqueles livros que qualquer pessoa deveria ler antes de morrer (o resto deixa para depois).

.....

Cheguei ao post 100 e ainda me agüento, céus! Estou ficando velho!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

In Nomine Dei

Todo mundo já teve um professor de história comunista que falou na época da reforma (lembrando sempre aquela aula sobre as torturas da inquisição) e que vivia criticando a Igreja por sua postura, hã, religiosas (ainda espero algum reclamar que o nome Igreja Apostólica Católica Romana não é um nome cool e comercial e que se o nome Igreja fosse oficializado [antes de ser roubado pelos crentes] a história seria outra...). Bem, teve muita guerra por religião e muita briga para decidir se eram os bizantinos ou os gregos que ficavam discutindo o 'sexo dos anjos' e merecendo a autoria da expressão.

Saramago pega esse tema rebatido e brinca de ateu em In Nomine Dei (parece que todo ateu tem essa necessidade de vez em quando). A peça se passa em Münsten durante os anos da reforma anabatista (1532-1535). Os reformados insistem que o seu Deus é mais deus que o Deus dos católicos e dos luteranos. Nessa salada de deuses a briga estoura, a cidade é sitiada e os anabatistas são derrotados.

É tudo bem simples e sem nenhuma enrolação (nem parece Saramago, mas ele geralmente faz isso nas peças [talvez porque sejam, hã, peças]). Ele mostra o radicalismo religioso como feio-feio-feio e que nesse meio fica muito mais fácil de charlatões aparecerem. A história pode ser modernizada utilizando alguns milhares de pastores modernos (afinal, Igreja é o negócio que mais cresce no país desde 1500) e/ou jogadores de futebol. Mas é melhor nem pensar nisso porque caso contrário alguém pode me excomungar de algum credo alheio. Independente de fé, inferno é inferno. Não quero estar em nenhum deles.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Infinite Jest

Oito meses... oito longos meses. Levei isso para ultrapassar um tijolo de 1079 páginas (sendo pouco menos de 100 delas só de notas de roda-pé). Por um momento achei que o livro era realmente infinito, por outro achei sem propósito achar que eu ia chegar ao final. Agora que aqui cheguei desconfio que Infinite Jest de David Foster Wallace provavelmente deve ser um dos Best-sellers menos lidos da história (mas ainda perde humilhantemente para Danielle Steel nesse quesito). É o livro mais longo que já li, não por questão de tamanho (afinal, já li Musashi), mas de forma e de estilo (ok, a letra miúda e as páginas imensas ajudam nisso, mas esses quesitos ainda pesam mais).

O autor utiliza essas mil páginas para falar de tudo um pouco. Aliás, boa parte do livro você se pergunta sobre o que diabos aquilo tudo se trata porque nada parece ser realmente abordado (nem mesmo a própria narrativa). A Wikipédia condensa até de forma legal os diversos tópicos abordados. Por sinal, este livro é cheio de resenhas e comentários espalhados por ai. Provavelmente todos tentam entender alguma coisa falando sobre o livro. Deve haver lá algum propósito escondido lá dentro (e há muitos). Mas só cheguei a três conclusões:

- Fala-se sobre um cartucho/filme capaz de fazer as pessoas não terem mais desejo algum. Ficam lá vendo e revendo o filme até morrer. Esse filme é trabalhado durante todo o livro e só tendo uma memória de elefante para lembrar de todos os detalhes que vão construindo o filme por 1000 páginas (mas sim, é possível) (e sim, o filme acaba virando uma arma, [spoiler] mas tudo faz parte da grande piada proposta pelo autor);

- Esse é um caso raro de tragicomédia (geralmente eu prefiro até pensar que elas não existem, mas é que aqui realmente é impossível não rir da desgraça alheia);

- Tem muita gente falando idiotamente correto sobre o livro. Ficam pensando em críticas pós-multiculturalistas e em pensamentos (sim, eles pensam sobre pensar). No meio dos pensamentos alguém percebe que o livro é bom, mas só o acha porque não o consegue entender e assim chega a conclusão de que é uma bela obra de arte. Bastava dizer que era bom e inteligente, ao invés de arranjar adjetivos que só comunistas de diretório acadêmico entendem.

Ok, minto. Tenho mais conclusões. Porém elas são mais pessoais do que de fato sobre o livro. Acontece quando você segue lendo e pensa em outra coisa. Garanto que isso é muito comum na leitura de IJ. O problema é quando você fica pensando na morte da bezerra e segue lendo. Ser distraído só me parece bom para não perceber assaltos.

Voltando, a forma dele ajuda a dar asas à imaginação. Vi peças, diálogos, críticas, artigos, resenhas, roteiros, ensaios e até glossário lá no meio do livro. Só faltou poesia (ou será que não lembro?). É por isso que o livro fica parecendo maior do que já é. Mas há que se reconhecer que é um ótimo livro. Um épico disfarçado de ficção científica que fala de um futuro não tão improvável (por sinal, boa parte dele se situa cronologicamente no que seria 2008). Ele também ajuda qualquer pessoa a largar das drogas mostrando muita gente fudida por ela. Aliás, não só por drogas, por qualquer tipo de vício/mania/hobby/obsessão.

Enfim, há muito que dizer sobre ele. Só lendo para ter noção de sua grandeza. Quem tiver tempo e disposição para uma boa escalada, cá está uma boa montanha a ser transposta.

Frase não spoileadora que é um dos pontos principais do livro e supostamente ajuda a largar a bebida:

"the truth will you set you free, but not until it's done with you"

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Frase de Jogador de Futebol

"O trabalho é o fruto do sucesso"
Eu achava a idéia estúpida até ver que jovens no Brasil têm como grande sonho o emprego (e não é um bom emprego; é qualquer um mesmo) e que basta ser, hã, socialmente injustiçado para ter direitos a mais. Ainda vou ver o dia da Megasena socialmente distribuída. Preciso ficar milionário até lá. Alguém sugere um jogo?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cidades Invisíveis

Geralmente socialistas escrevem bem. Isso é uma compensação pelo fato de serem socialistas. Encontrar um socialista sendo traduzido por Diogo Mainardi parecia ser realmente um achado. 'Ia' porque acabou se provando ao contrário. Não sei se falha de tradução ou do próprio autor, mas Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino parece sempre deixar uma palavra de fora. A cada frase eu tinha a sensação e as vezes chegava a ver o que faltava, mas, com o meu mau hábito de leituras estrangeiras, seguia a leitura sem me importar.

O livro fantasia uma conversa entre Kublai Khan e Marco Polo. No entanto aqui falamos de um Khan velho gay inseguro e de Polo filósofo de mãos peludas nas costas do Khan (yeah, bem Rodrigo Santoro em 300). O livro apresenta 55 cidades com nomes de mulher que são usadas como desculpa para filosofar sobre língua, comércio, destino, religião, Estado, memória e blá blá blá. Além disso há uns poucos diálogos entre capítulos com os dois únicos personagens. Ambos falam (ou se comunicam mentalmente ou por gestos [sério!]) exatamente da mesma forma porque são apenas um pretexto do autor para falar de várias cidades poeticamente. Fazer poesia em prosa não é legal e tenho dito.

Enfim, cansativo, repetitivo e excessivamente simbólico. Nem queria ter falado nele, mas agora já é tarde.

domingo, 20 de julho de 2008

Kokoro

Já disse aqui como encontrei o Natsume Soseki. Como ele se apresentou como um bom autor desconhecido para mim, decidi procurar mais sobre ele. Encontrei Kokoro largado em uma prateleira cinza enferrujada. Infelizmente o estado não era tão bom quando o de Botchan, mas ainda está legível (afinal, em 30 anos sou a 3ª pessoa a por as mãos nesse livro).

Kokoro é um livro é um livro que retrata o Japão da Era Meiji e as mudanças de um feudalismo para um modernismo em poucos anos. Segundo a wikipedia, o título pode ser traduzido como 'coração' (mas japonês nunca se sabe). Poderia sugerir de forma infame que Soseki quis mostrar como era o coração da revolução imperialista (mas não teria graça). Kokoro toma como narrativa a relação entre dois homens: o protagonista, um jovem estudante de qualquer coisa, e Sensei, um velho que não faz nada, e é antipático, grosso e antissocial.

Por algum motivo aleatório, o protagonista olhou para o Sensei e disse: 'vou ser amigo dele'. Após algumas tentativas tentando superar as qualidades supracitadas do Sensei, o protagonista consegue se aproximar e de criar uma amizade. A proximidade mostrou que Sensei tinha um segredo. Dai a história segue até a revelação do tal segredo, mas hoje nem atacarei de estraga prazeres.

É um livro que fala sobre amizade, sobre família, sobre o papel da mulher, sobre a universidade (o conhecimento, de forma mais geral) e sobre o Japão. Além disso, ele fala sobre o amor e sobre o ressentimento. Fosse Soseki um ocidental, o final seria completamente diferente. Para esse japa nascido entre duas eras bem distintas, o amor ainda não tinha esse poder salvador (ou total, como na moral cristã). Assim já adianto que haverá uma tragédia. E não é uma daquelas com propósito e que você pensa 'é, né...'. Acho que simplesmente discordei do autor na, digamos, moral da história, mas isso realmente não importa.

Em Botchan, o protagonista odeia o mundo e se isolava pelo temperamento. Em Kokoro, o isolamento parece mais profundo. Atinge o coração das relações de uma sociedade em mudança. Assim, das duas teremos uma: o autor ou é amargurado ou escrevia para criticar sua época. Mesmo assim é um bom e pequeno livro. Um daqueles para ler e pensar, mas acho que é para pessoas mais velhas ou mais isoladas que eu.

Uma frase que achei legal lá:
"Words are not meant to stir the air only: they are capable of moving greater things."

domingo, 13 de julho de 2008

20 dias sem suor e nem humildade

(a idéia inicial era duas semanas sem suor. Mas o tempo foi passando e cheguei aos 20. Antes que se tornem 30 decidi me forçar a fazer isso).

Descobri que sou realmente ruim em não fazer nada. Não fiz absolutamente nada e isso realmente incomoda quem passou um ano metido nos mais altos esquemas da política regional. Após isso decidi que realmente deveria fazer alguma coisa. Como passei muito tempo sem fazer nada, seria perigoso começar com algo mais algum exercício mais pesado. Experimentei sentar no computador. Mesmo assim continuei com um tédio infinito (tão infinito quanto o livro que estou lendo agora).

Daí lembrei da lista de comunicação e pensei: "nossa, vou arranjar uma briga lá para aquecer o inverno nordestino". (Para quem não sabe, o inverno nordestino tem média de 28º à sombra, mas chove o tempo todo).

Nem precisei procurar muito para arranjar um motivo de discórdia (lá ela já nasce naturalmente). Bastou dizer que fazer blogs com as matérias produzidas durante uma cadeira do 3º período é uma idéia ruim. Resultado: milhares de emails chamando os criticadores de "feio-feio-feios" e também exigindo suas humildades.

Sem nada para fazer, lá fui atrás de humildade no google (ao contrário do que parece, é realmente fácil achar humildade por lá). Por algum motivo aleatório, devemos sempre respeitar quem faz alguma coisa. É uma forma de dizer que alguém fez uma droga, mas que você não conseguiria fazer muito diferente, então não há problemas em fazer drogas. Também é necessário dizer a quem começou a aprender qualquer ofício que ele está fazendo um bom trabalho (merda), mas que vai melhorar. Isso nos ajudará a entrar pela porta da frente na sagrada reitoria ocupada dos céus (com duas entradas para o cineocupação, uhúl!).

Nesse ponto fico a doente Ayn Rand mesmo. Humildade não é uma virtude. Pode ser uma questão de etiqueta não esculhambar os outros, mas isso está longe de reconhecer como bons trabalhos medíocres. Além disso, humildade (usando uma definição de wikipedia) seria uma qualidade pessoal. Eu não preciso ficar esfregando minhas virtudes nos outros e eles não precisam ficar me lembrando delas.

Só nunca vi ninguém ficar rico, famoso ou bem sucedido por ser humilde e não combater os defeitos. A não ser quem não tenha defeitos, mas ai já é outra história. Vou agora garantir meus lugares no cineocupação.

.....

ps: o Tobol Kostanai empatou com o Kairat Almaty, mas ainda lidera a Super League do Kazaquistão. Azat Nurgaliev abriu para o Tobol Kostanai aos 15 minutos do primeiro tempo. Aos 10 do segundo tempo, Vladimir Yakovlev empatou para o time da casa.